Vucic critica ruptura do direito internacional após ofensiva dos EUA na Venezuela
Presidente da Sérvia afirma que Carta da ONU perdeu eficácia diante de ação militar que atingiu o governo venezuelano
247 - O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, declarou que o sistema jurídico internacional deixou de funcionar após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, classificando o episódio como um marco de ruptura da ordem global baseada no direito e na Carta das Nações Unidas.
Segundo Vucic, os acontecimentos revelam que o cenário internacional passou a ser regido pela força, em detrimento das normas multilaterais. A avaliação foi feita após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional da Sérvia e ocorre em meio às repercussões globais da ação militar que afastou o presidente venezuelano Nicolás Maduro do país. As declarações foram divulgadas pela emissora teleSUR.
Em seu discurso, o presidente sérvio foi direto ao apontar o impacto do ataque norte-americano. “Devemos reconhecer e compreender claramente que, após a ação na Venezuela, torna-se absolutamente evidente que a ordem jurídica internacional e a Carta da ONU não funcionam de forma alguma”, afirmou. Para Vucic, o episódio evidencia um padrão preocupante na política internacional contemporânea.
Ele acrescentou que a lógica dominante passou a ser a da imposição pela força. “No mundo domina a lei do mais forte: quem é mais forte, pressiona, e esse é o único princípio da política contemporânea que existe hoje em dia”, disse, ao comentar a ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o governo venezuelano.
Como resposta ao novo contexto geopolítico, a Sérvia anunciou planos para reforçar significativamente suas capacidades militares. Entre as medidas estão a duplicação da capacidade defensiva das Forças Armadas em um prazo de 18 meses, o aumento do efetivo em 30% e a elevação da potência de fogo em 100%.
As declarações de Vucic também dialogam com informações divulgadas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou uma operação militar de grande escala contra a Venezuela. Segundo esses comunicados, Nicolás Maduro teria sido capturado e transferido, junto com sua esposa, Cilia Flores, para Nova York, onde seria julgado por supostos crimes relacionados ao narcotráfico. De acordo com um correspondente da agência RIA Novosti, Maduro estaria detido no bairro do Brooklyn.
Washington justificou a operação com o argumento de combate ao tráfico de drogas, após o envio ao Caribe do porta-aviões USS Gerald R. Ford, de um submarino nuclear, de destróieres e de mais de 4 mil soldados desde agosto. Em meados de dezembro, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval à Venezuela, medida que o governo de Caracas denunciou como violação do direito internacional.



