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Índia defende solução pacífica para crise na Venezuela após ofensiva dos EUA

Nova Délhi manifesta preocupação com escalada militar, pede diálogo e reafirma apoio ao povo venezuelano

Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (Foto: REUTERS/Stelios Misinas/File photo)

247 - A Índia manifestou preocupação com a grave deterioração da situação na Venezuela após a ofensiva militar realizada pelos Estados Unidos e defendeu uma solução pacífica baseada no diálogo entre as partes envolvidas. Em posicionamento oficial, o governo indiano destacou a necessidade de preservar a paz e a estabilidade regional diante do agravamento do conflito no país sul-americano.

O pronunciamento foi divulgado pela chancelaria da Índia e repercutido pela emissora teleSUR, que informou que Nova Délhi reafirmou seu compromisso com o bem-estar, a segurança e os direitos do povo venezuelano, ao mesmo tempo em que alertou para os riscos de uma escalada militar com impactos internacionais.

A declaração indiana ocorreu após uma operação de grande magnitude conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente constitucional Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, posteriormente levados a Nova York. A ação gerou forte reação de Caracas e provocou condenações em diferentes países.

Da Casa Branca, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que Maduro e Flores seriam submetidos a processos judiciais por supostos crimes relacionados ao narcotráfico. O governo venezuelano rejeitou de forma categórica as acusações, classificando-as como infundadas e motivadas politicamente.

Trump declarou ainda que Washington assumiria a administração da Venezuela até que se concretize o que chamou de uma “transição segura” e afirmou não descartar o envio de tropas norte-americanas ao território venezuelano. As declarações intensificaram críticas internacionais, por serem interpretadas como uma ameaça direta à soberania nacional e uma justificativa para ocupação estrangeira.

Segundo analistas e governos que se pronunciaram, as ações dos Estados Unidos fazem parte de uma estratégia de criminalização do comando político venezuelano. Meses antes do ataque, Washington classificou o chamado “Cartel de los Soles” como organização terrorista, sem apresentação de provas, e apontou o presidente Nicolás Maduro como um de seus supostos líderes, chegando a oferecer recompensas financeiras por sua captura, em medida vista como contrária ao direito internacional.

A ofensiva militar ocorre após meses de crescente tensão. Desde agosto do ano passado, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Caribe, com o envio de destróieres, um submarino de propulsão nuclear, o porta-aviões USS Gerald R. Ford e mais de 4 mil soldados. Nesse período, foram realizados ataques contra embarcações classificadas por Washington como “narcolanchas”, que resultaram em mais de uma centena de mortes, além da apreensão de navios com petróleo venezuelano.

O governo norte-americano tenta justificar o cerco militar sob o argumento de “combater o narcotráfico” com destino ao seu território. No entanto, organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, já afirmaram repetidamente que a Venezuela não é produtora de drogas e que o país mantém políticas ativas de enfrentamento ao tráfico ilícito. Essas posições reforçam críticas que classificam a ação dos Estados Unidos como unilateral, desproporcional e sem base legal, em violação à soberania dos Estados.

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