Turquia condena ação dos EUA contra a Venezuela e defende soberania popular
Partido governista turco afirma que apenas o povo venezuelano pode decidir seu futuro e critica intervenções externas em violação ao direito internacional
247 - O partido governista da Turquia se posicionou de forma contundente diante dos recentes acontecimentos na Venezuela, reafirmando a defesa da soberania nacional e do princípio da autodeterminação dos povos. A legenda rejeitou qualquer iniciativa externa que viole o direito internacional ou desconsidere a vontade popular expressa pelos cidadãos venezuelanos.
A posição foi divulgada pelo porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Ömer Çelik, em declarações reproduzidas pela teleSUR, que informou sobre a reação oficial turca às ações anunciadas por Washington. Segundo Çelik, a soberania política pertence exclusivamente ao povo venezuelano e não pode ser alvo de intervenções estrangeiras.
Em mensagem publicada na rede social X, o porta-voz ressaltou que a linha política do AKP está ancorada no “respeito irrestrito à legalidade internacional, à soberania dos Estados e à integridade territorial”. Para ele, somente os cidadãos da Venezuela têm legitimidade para definir os rumos políticos do país, sem pressões ou imposições externas.
Çelik também recordou que o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, e seu partido mantêm, de forma consistente, uma orientação baseada na defesa do direito internacional e na legitimidade de governos formados a partir da vontade popular. De acordo com o dirigente, princípios como a validade dos regimes sustentados pelo voto e o direito democrático dos povos de promover mudanças internas sem ingerência externa integram o núcleo ideológico do AKP.
Ao reafirmar esse posicionamento, o porta-voz enfatizou que a legenda não apoia processos que contrariem tais valores. Nesse contexto, destacou de forma literal: “a legitimidade política tem sido, e continua sendo, a companheira mais importante na trajetória política do presidente Erdoğan e do partido”.
As declarações da liderança turca ocorrem após o anúncio feito no sábado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma operação de grande escala contra a Venezuela. Segundo informações divulgadas, a ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, com posterior transferência do casal para fora do país.
Ainda conforme os dados tornados públicos, Maduro e Flores teriam sido levados para Nova York entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, sendo mantidos em um centro de detenção federal na região do Brooklyn. O episódio é tratado por diversos países e analistas como uma grave violação da soberania venezuelana e do direito internacional.



