Cristina Kirchner condena ação dos EUA e denuncia ataque à soberania venezuelana
Ex-presidente argentina critica sequestro de Nicolás Maduro, aponta violação do direito internacional e acusa interesses petrolíferos por trás da ofensiva
247 - A ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner criticou duramente a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando como uma agressão sem precedentes recentes e denunciando o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa em território nacional. Para Cristina, a ofensiva representa uma ruptura grave com normas básicas da convivência internacional e cria um cenário de instabilidade com impactos geopolíticos profundos.
Em mensagem publicada neste domingo (4) em suas redes sociais, Cristina Kirchner afirmou que, independentemente da posição política em relação ao governo venezuelano, os acontecimentos não podem ser relativizados. “Pode-se estar a favor, contra ou simplesmente não se importar com o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, mas ninguém pode negar que, na madrugada do último sábado, a administração Trump nos Estados Unidos voltou a cruzar um limite que muitos de nós pensávamos que não voltaria a ser ultrapassado”, escreveu a ex-presidente.
Ao analisar o contexto histórico, Cristina resgatou a política do “Grande Porrete” associada ao corolário Roosevelt da Doutrina Monroe, aplicada especialmente na América Latina. Segundo ela, essas práticas serviram para justificar intervenções militares diretas e o apoio explícito ou encoberto a golpes de Estado, que resultaram na instalação de ditaduras militares violentas. “Longe de favorecer os Estados Unidos, isso gerou na região um sentimento adverso em relação a esse país”, afirmou, acrescentando que, em muitos casos, essas ações produziram atraso econômico e social nas nações atingidas.
Cristina Kirchner também apontou a dimensão jurídica da operação, destacando a violação da Carta das Nações Unidas, do Direito Internacional e do “mais elementar senso comum”. Para ela, é incontestável a “absoluta ilegalidade e ilegitimidade do sequestro literal de um presidente e de sua esposa em seu próprio país”, em uma ação que ainda provocou a morte de numerosas pessoas. Na avaliação da ex-presidente, o episódio cria um precedente perigoso, ao abrir margem para que potências econômicas e militares atentem contra a soberania política, territorial ou sobre recursos naturais de países mais vulneráveis.
A ex-mandatária argentina foi categórica ao questionar os objetivos declarados pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Cristina, a operação batizada de “Operação Resolução Absoluta” não teve como finalidade restaurar a democracia na Venezuela nem combater o narcotráfico. “O objetivo perseguido e publicamente declarado não é restabelecer um governo democrático na República da Venezuela, nem a luta contra o narcotráfico, mas sim se apoderar da maior reserva de petróleo convencional do mundo, de forma escancarada”, escreveu.



