Governo cubano reforça dever de proteger suas águas territoriais após tentativa de infiltração de grupo terrorista
O vice-ministro das Relações Exteriores afirma que ação do governoseguiu o direito internacional e denuncia tentativa terrorista com origem na Flórida
247 - Cuba reafirmou nesta quinta-feira (26), que tem o dever e a responsabilidade de proteger suas águas territoriais após denunciar uma tentativa de infiltração com fins terroristas envolvendo uma embarcação registrada no estado da Flórida, nos Estados Unidos. A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, ao comentar o episódio ocorrido nesta quarta-feira, quando dez pessoas tentaram ingressar na Ilha por via marítima.
Em pronunciamento à imprensa, Fernández de Cossío reiterou o posicionamento histórico de Havana contra o terrorismo. “Nosso país mantém um desempenho exemplar na luta contra o terrorismo e cumpriu e continuará a honrar os compromissos assumidos nessa área”, afirmou.
Ele destacou que Cuba é signatária das 19 convenções internacionais relativas ao tema e que, em conformidade com esses instrumentos, implementou medidas legais e institucionais voltadas ao enfrentamento dessas práticas, destaca reportagem do Granma.
Ao abordar o episódio mais recente, o vice-ministro foi enfático ao justificar a atuação do Estado cubano. “Cuba tem o dever e a responsabilidade de proteger suas águas territoriais”, declarou. Segundo ele, essa proteção é exercida em conformidade com o direito internacional, que se aplica a todos os países, incluindo os Estados Unidos. “É também parte da defesa nacional do Estado cubano, um pilar indispensável para a proteção de nossa soberania, da vida, da segurança e do bem-estar dos cubanos.”
De acordo com o relato oficial, assim que foi identificada a origem da embarcação, as autoridades cubanas estabeleceram comunicação com seus homólogos norte-americanos, incluindo o Departamento de Estado e o Serviço da Guarda Costeira. Fernández de Cossío informou que uma investigação está em andamento para esclarecer completamente o ocorrido.
“O governo cubano está disposto a cooperar plenamente com o governo dos EUA em relação a este incidente”, afirmou. “Entre outras solicitações, buscaremos informações sobre os envolvidos, os meios utilizados e outros detalhes, por meio dos mecanismos existentes entre nossos dois países. As autoridades do governo dos EUA expressaram sua disposição em cooperar”, acrescentou.
Segundo dados preliminares apresentados pelo vice-ministro, os dez indivíduos envolvidos no incidente são Cristian Ernesto Acosta Guevara, Conrado Galindo Serrior, José Manuel Rodríguez Castelló, Leordán Cruz Gómez, Amijail Sánchez González, Roberto Álvarez Ávila, Pavel Alling Peña, Michael Ortega Casanova, Ledián Padrón Guevara e Héctor Duani Cruz Correa. Os quatro últimos morreram durante o ataque.
As autoridades cubanas informaram que, na embarcação, foram apreendidos fuzis de assalto e de precisão, pistolas, coquetéis Molotov, dispositivos de visão noturna, coletes à prova de balas, baionetas, roupas de camuflagem, munição de vários calibres, alimentos para uso em combate, meios de comunicação e monogramas de organizações contrarrevolucionárias de natureza terrorista.
Fernández de Cossío sustentou que o episódio não pode ser tratado como fato isolado. “Este não é um incidente isolado”, afirmou. “Cuba tem sido vítima de agressões e inúmeros atos terroristas por mais de 60 anos, a maioria deles organizados, financiados e executados a partir de território americano.”
O vice-ministro também ressaltou que, nos últimos anos, Havana tem denunciado o aumento de planos e ações violentas contra a Ilha, bem como um sentimento de impunidade entre organizadores e executores dessas iniciativas.
Nesse contexto, destacou que o governo cubano fornece regularmente às autoridades dos Estados Unidos informações sobre indivíduos que promovem, financiam ou organizam atos violentos contra o país. Entre os instrumentos citados está a Lista Nacional de pessoas e entidades alvo de investigações criminais e procuradas por Cuba, elaborada com base na Resolução 1373 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nas normas do Direito Internacional e na legislação nacional.
Dois dos envolvidos na tentativa de infiltração — Amijail Sánchez González e Leordan Enrique Cruz Gómez — constam nessa lista, compartilhada com o governo norte-americano nos anos de 2023 e 2025. “O governo cubano ainda aguarda respostas às suas solicitações referentes a eles e aos demais indivíduos e organizações incluídos na lista divulgada. Grupos anticubanos que operam nos Estados Unidos recorrem ao terrorismo como expressão de seu ódio a Cuba e da impunidade que acreditam desfrutar”, declarou o vice-ministro.


