Líder do narcotráfico no México é morto em operação militar com apoio dos EUA
Morte do chefe do CJNG provoca bloqueios, incêndios e paralisações em diversos estados do país
247 - Uma das principais lideranças do narcotráfico no México, Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, morreu neste domingo (22) após ser ferido em uma operação conduzida por forças especiais do Exército mexicano na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco. A morte do chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) desencadeou uma série de ataques e bloqueios em diferentes regiões do país, segundo informações da agência Reuters.
De acordo com o Ministério da Defesa do México, Oseguera, de 60 anos, foi capturado durante a ação militar e não resistiu aos ferimentos. O corpo foi trasladado para a Cidade do México em um comboio fortemente escoltado por integrantes da Guarda Nacional. A Reuters informou ainda que uma força-tarefa liderada pelos Estados Unidos teve participação na operação, enquanto o governo norte-americano forneceu apoio de inteligência.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou nas redes sociais que os Estados Unidos contribuíram com informações estratégicas para a ação. Ela afirmou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “elogia e agradece aos militares mexicanos por sua cooperação e execução bem-sucedida desta operação”.
A ofensiva representa um dos golpes mais significativos contra organizações criminosas responsáveis pelo envio de grandes quantidades de drogas aos Estados Unidos, especialmente o opioide sintético fentanil. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, vinha enfrentando pressão crescente de Washington para intensificar o combate aos cartéis.
Após a confirmação da morte de “El Mencho”, integrantes do CJNG reagiram com violência. Veículos foram incendiados para bloquear rodovias e estabelecimentos comerciais foram atacados em mais de meia dúzia de estados, provocando paralisações em diversas áreas. Não há registro de mortes de civis até o momento.
No balneário de Puerto Vallarta, em Jalisco, turistas relataram nas redes sociais cenas descritas como uma “zona de guerra”, com colunas de fumaça escura visíveis em diferentes pontos da baía. Companhias aéreas como Air Canada, United Airlines, Aeroméxico e American Airlines suspenderam voos para a região.
Ex-policial, Oseguera fundou o CJNG e liderou sua rápida expansão a partir de Jalisco, estado que abriga Guadalajara, uma das maiores cidades do país. Sob seu comando, o grupo se consolidou como uma das organizações criminosas mais poderosas do México, reconhecida por métodos violentos, incluindo trabalho forçado e recrutamento compulsório.
Além do tráfico de drogas, o cartel diversificou suas atividades para roubo de combustível, extorsão, contrabando de pessoas e fraudes financeiras sofisticadas. Também foi pioneiro no uso de drones para ataques em áreas remotas do oeste mexicano, estratégia que acompanhou sua expansão territorial.
A morte de “El Mencho” ocorre anos após a captura de líderes do Cartel de Sinaloa, como Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada, ambos atualmente presos nos Estados Unidos.
Especialistas em segurança acompanham os desdobramentos da operação. Carlos Olivo, ex-assistente de agente especial da Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) e estudioso do CJNG, avaliou que o cenário tende a se deteriorar. “Definitivamente haverá confrontos entre as várias facções, e esses espasmos de violência podem durar anos”, afirmou.
O subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, ex-embaixador no México, classificou a morte de Oseguera como um “grande desenvolvimento” para os Estados Unidos, o México e a América Latina.
Em meio à escalada da violência, a presidente Claudia Sheinbaum declarou que as atividades na maior parte do território nacional seguem normalmente. Secretarias estaduais de Educação anunciaram a suspensão preventiva das aulas em diferentes regiões para a segunda-feira.
Sheinbaum também reiterou que pretende ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que reafirmou a defesa da soberania mexicana e advertiu contra qualquer ação militar unilateral em território nacional. Segundo a presidente, autoridades de segurança devem divulgar mais detalhes sobre a operação.

