Lula defende integração regional e vê petróleo do Suriname como impulso ao comércio bilateral
Presidente Lula anuncia negociações para novo acordo comercial com o Suriname
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (28) a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em Brasília, em uma agenda marcada pela assinatura de acordos bilaterais e pela defesa do fortalecimento da integração regional. Durante a declaração conjunta à imprensa no Palácio Itamaraty, Lula destacou o potencial energético do Suriname e afirmou que a descoberta de petróleo no país vizinho poderá impulsionar a relação comercial entre as duas nações.
“Vocês agora do Suriname vão se transformar em grandes produtores de petróleo, e isso vai ajudar na relação comercial”, declarou Lula ao defender o aprofundamento da cooperação energética entre os países. Segundo o presidente brasileiro, a Petrobras já estabeleceu parceria com a estatal petroleira surinamesa, em um movimento que poderá ampliar os laços econômicos bilaterais nos próximos anos.
Lula afirmou que o encontro representa uma “oportunidade de aproximar dois países que compartilham muito mais que uma fronteira”. “Somos dois países amazônicos, democracias que acreditam na cooperação e no multilateralismo”, disse. O presidente também lembrou que Brasil e Suriname completam neste ano meio século de relações diplomáticas e afirmou que o governo brasileiro acompanha “com entusiasmo o novo ciclo de crescimento do Suriname”.
Os dois governos assinaram uma série de acordos e memorandos de entendimento em áreas como defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, saúde pública, gestão de desastres, cooperação marítima e desenvolvimento social. Também foram firmados termos de referência para um acordo comercial de alcance parcial, cujas negociações devem começar no segundo semestre.
Ao comentar a relação econômica bilateral, Lula observou que o comércio entre os dois países ainda é “muito pequeno e concentrado em poucos produtos”. “O único acordo comercial que temos é muito restrito”, afirmou. Segundo ele, o Brasil poderá ampliar exportações de carnes e outros gêneros alimentícios ao Suriname, mas ressaltou a importância de equilibrar a balança comercial. “Queremos também comprar coisas deles, porque senão fica meio truncado”, disse.
O presidente brasileiro também defendeu o fortalecimento das conexões logísticas entre os países. “Concordamos sobre aumentar voos e vias marítimas”, afirmou. Lula destacou ainda o potencial brasileiro em minerais críticos e a possibilidade de cooperação em mineração sustentável.
Na área de segurança, os acordos incluem cooperação entre a Polícia Federal e o corpo policial do Suriname, além de memorandos para cibersegurança e operações militares espelhadas na faixa de fronteira. Lula afirmou que os países da região estão “unindo esforços regionais para o enfrentamento ao tráfico”.
Durante o discurso, o presidente também comentou temas da agenda interna brasileira. Lula celebrou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do fim da escala 6x1 e classificou a medida como “uma conquista extraordinária da sociedade brasileira”. Ele lembrou que a jornada de trabalho havia sido reduzida pela última vez em 1988, passando de 48 para 44 horas semanais, e afirmou que o novo avanço permitirá melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
“Quem sabe um dia a gente consiga que as pessoas trabalhem o suficiente para enriquecer a economia e as pessoas possam ser felizes no mundo trabalho”, declarou.
Lula também defendeu a igualdade salarial entre homens e mulheres. “Uma mulher que exerce a mesma função que um homem vai ganhar o mesmo salário, nós queremos que aumente os salários das mulheres”, afirmou. O presidente criticou ainda a priorização de políticas armamentistas em governos anteriores. “O governo passado queria armas, mas as melhores árvores são os livros”, disse.
Na área da educação, Lula afirmou que cursos ligados à saúde não devem ser ofertados na modalidade de ensino à distância. “Nada ligado à saúde pode ter ensino à distância”, declarou.
A presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, afirmou que os dois países possuem “um objetivo compartilhado de fortalecer nossa parceria”. Ela destacou que o Suriname “valoriza o apoio e cooperação técnica do Brasil” e ressaltou a “determinação conjunta de elevar nossa relação”.
Entre os acordos assinados pelos governos estão iniciativas para combate ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes, cooperação em ciência, tecnologia e inovação, desenvolvimento social, saúde pública, manejo integrado do fogo, gestão de desastres e defesa. Também foram firmados memorandos sobre cooperação marítima, cibersegurança e operações militares na faixa de fronteira.



