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Lula retorna do Panamá com acordos bilaterais e agenda de encontros com presidentes

Viagem incluiu assinatura de pactos com o governo panamenho e definiu visitas a Chile e Bolívia após participação em fórum econômico regional

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante chegada ao Aeroporto Panamá Pacífico. Cidade do Panamá - Panamá (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Brasil após viagem oficial ao Panamá trazendo acordos bilaterais firmados com o país anfitrião e a confirmação de novos compromissos diplomáticos com chefes de Estado identificados com a direita na América do Sul. A agenda incluiu encontros políticos, negociações econômicas e a participação no Fórum Econômico da América Latina e Caribe.

Durante a visita, Brasil e Panamá assinaram quatro instrumentos de cooperação, com destaque para o acordo de cooperação em investimentos entre os dois países, formalizado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Além desse pacto, os governos firmaram um termo de referência para a negociação de um acordo comercial de alcance parcial e um memorando de entendimento voltado à cooperação no setor de turismo, ampliando o leque de parcerias bilaterais.

No campo político, Lula indicou que viajará a Santiago, em março, para participar da posse de José Antonio Kast como novo presidente do Chile. O convite foi feito pelo próprio Kast durante reunião com o presidente brasileiro na terça-feira, 27 de janeiro, à margem dos compromissos oficiais no Panamá.

Ainda durante a passagem pelo país centro-americano, Lula convidou Rodrigo Paz, descrito como novo presidente da Bolívia, para realizar uma visita oficial ao Brasil no primeiro semestre de 2026. O encontro, segundo o relato, deve ocorrer antes do período eleitoral brasileiro.

A viagem teve como um de seus eixos centrais a participação de Lula no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, evento apelidado de “Davos latino-americana”. O presidente discursou na quarta-feira, 28 de janeiro, abordando temas regionais e geopolíticos.

Sem citar diretamente nomes ou países, Lula fez referências à complexidade política da América Latina, destacando a proximidade da região com a maior potência militar do mundo, numa alusão ao contexto internacional envolvendo os Estados Unidos, atualmente presididos por Donald Trump. O presidente brasileiro defendeu maior integração entre os países latino-americanos e caribenhos.

Em sua fala, Lula criticou a paralisação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), atribuindo a situação a divergências ideológicas internas. “A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou.

O presidente também abordou a questão do Canal do Panamá, defendendo que a via marítima mantenha seu caráter neutro. Segundo Lula, a integração regional em infraestrutura deve prescindir de disputas ideológicas. “A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, declarou.

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