PT se divide sobre candidatura própria ao governo de São Paulo
Direção nacional defende nome petista para fortalecer Lula, enquanto comando estadual avalia apoiar aliados fora do partido
247 - O PT vive uma divergência interna sobre a estratégia eleitoral para o governo de São Paulo neste ano. A direção nacional da legenda avalia como essencial lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes, enquanto o comando estadual demonstra maior abertura para apoiar um nome de fora do partido, desde que alinhado ao campo político do presidente Lula (PT), informa a Folha de São Paulo.
No plano nacional, a avaliação é de que a presença de um candidato petista na disputa paulista seria decisiva para sustentar o projeto de reeleição de Lula. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e teve papel central na vitória presidencial de 2022, quando Lula ampliou em cerca de 4 milhões de votos sua votação no estado em relação ao segundo turno de 2018, segundo dirigentes da sigla. Essa leitura é compartilhada pelo próprio presidente da República e pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que defendem a necessidade de um nome do partido na corrida estadual, de acordo com relatos de petistas.
O favorito da cúpula nacional para a missão é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Ele já disputou o governo paulista em 2022, quando foi derrotado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Apesar do apoio interno, Haddad tem demonstrado resistência à ideia de concorrer novamente ao cargo. Aliados afirmam que ele só aceitaria a candidatura em caso de uma determinação direta de Lula. Em paralelo, o ministro não descarta disputar uma vaga ao Senado, opção que, em sua avaliação, ofereceria menores riscos eleitorais após derrotas acumuladas nas eleições municipais de São Paulo em 2016, na presidencial de 2018 e no pleito estadual de 2022.
Para a direção nacional do PT, a insistência em uma candidatura própria está ligada à estratégia de levar a disputa paulista ao segundo turno. O objetivo seria garantir a Lula um palanque competitivo no estado até o fim da campanha presidencial, ampliando a capacidade de mobilização eleitoral em território paulista.
Já o diretório estadual concorda com a necessidade de forçar um segundo turno em São Paulo, mas adota uma postura mais pragmática quanto à composição da chapa. Entre os nomes bem avaliados estão o do vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, e os dos ministros Márcio França, do Empreendedorismo, também do PSB, e Simone Tebet, do Planejamento, filiada ao MDB.
No entanto, as alternativas enfrentam obstáculos políticos. Alckmin é o único nome fora do PT que teria aceitação na cúpula nacional, mas já comunicou a aliados que pretende repetir a chapa vitoriosa de 2022 e não tem interesse em disputar outro cargo além da Vice-Presidência. Simone Tebet, por sua vez, precisaria transferir seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo e trocar de partido, já que o MDB paulista tende a apoiar a reeleição de Tarcísio de Freitas.
Márcio França é o único que se colocou publicamente à disposição para disputar o governo estadual. A interlocutores, ele tem lembrado que abriu mão de sua candidatura em 2022 a pedido de Lula, quando apoiou Haddad e concorreu ao Senado, sendo derrotado por Marcos Pontes, do PL. A definição sobre o caminho a ser seguido pelo PT em São Paulo segue em aberto e deve se intensificar à medida que o calendário eleitoral se aproxima.


