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Marcha na Cidade do México repudia ação dos EUA contra a Venezuela

Ato reuniu sindicatos e movimentos sociais, defendeu a soberania venezuelana e criticou decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Protesto contra ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, de bloquear a entrada e saída de petroleiros sancionados da Venezuela - 17 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS)

247 - Uma mobilização de grandes proporções ocupou as ruas da Cidade do México nesta sexta-feira em condenação à agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela. Ativistas, sindicatos e organizações sociais marcharam pela capital mexicana exigindo a libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, além de reafirmar o direito do povo venezuelano à autodeterminação. As informações são da Prensa Latina.

Os participantes partiram do monumento do Anjo da Independência e percorreram a avenida Reforma, uma das principais vias da cidade, entoando palavras de ordem como “Liberdade para Maduro”, “Venezuela resiste, o povo se levanta” e “Fora ianques da América Latina”.

Com bandeiras do México e da Venezuela — além de estandartes de Cuba e da Palestina em alguns casos — os manifestantes denunciaram os ataques ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há exatamente uma semana. A marcha integrou uma jornada internacional de solidariedade, com ações semelhantes convocadas em outros países.

Entre os participantes, Dania Arenas destacou a importância da defesa da soberania dos povos. Em entrevista à Prensa Latina, ela afirmou: “Isso tem a ver com a soberania em todos os aspectos, nos termos políticos, econômicos e, especificamente no caso da Venezuela, com a decisão sobre para onde vão os recursos que pertencem à nação”. Segundo Arenas, esses recursos não devem ficar “à disposição de interesses transnacionais, nem dos Estados Unidos”.

A jovem também criticou a política histórica de Washington em relação à América Latina. Para ela, os Estados Unidos utilizam há décadas o discurso de uma suposta defesa da liberdade e dos direitos humanos para se apropriar de riquezas que pertencem a outras nações. Ao comentar as ameaças feitas por Donald Trump a países como Colômbia e México, Arenas classificou como grave a incapacidade dos Estados latino-americanos e da comunidade internacional de impor limites a esse tipo de postura.

Outro manifestante, Juan Luis Concheiro, ressaltou a necessidade de articulação das forças progressistas em nível global. Ele apontou a importância da união da esquerda internacional em torno da defesa da soberania dos povos, com o objetivo de isolar a ultradireita, que cresce em diversas regiões do planeta.

Zamira Bringas, por sua vez, definiu como “corajosa e necessária” a posição assumida pelo México diante do ataque à Venezuela. Já Sandra Celis avaliou que a atual postura do governo mexicano representa uma mudança em relação a administrações anteriores. “Normalmente, os governos mexicanos tiveram muito mais medo dos Estados Unidos”, afirmou. Segundo ela, a presidente Claudia Sheinbaum demonstrou firmeza diante do cenário. “A presidente Claudia Sheinbaum soube enfrentar a situação e também adotar uma posição digna, que representa todo o povo do México, diante de Donald Trump, que sabemos que sempre foi muito chantagista, tentou nos ameaçar, e ela, acredito, esteve à altura”, declarou.

De acordo com os organizadores da mobilização, entre eles a Coordenadora Mexicana em Solidariedade com a Venezuela, manifestações semelhantes também estavam previstas para outras cidades do país, ampliando o alcance do repúdio às ações dos Estados Unidos e reforçando a solidariedade regional ao povo venezuelano.

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