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EUA e Venezuela apreendem em operação conjunta petroleiro sancionado

Confisco inédito surge em meio a negociações entre a PDVSA e os Estados Unidos, após a invasão a Caracas

Navio da Guarda Costeira dos EUA - 06/03/2025 (Foto: REUTERS/Marco Bello)

247 - A estatal petrolífera venezuelana PDVSA informou em comunicado neste sábado (10) que a Venezuela realizou sua primeira “operação conjunta bem-sucedida” com os Estados Unidos para o retorno ao país do navio "Minerva", que “zarpou sem pagamento nem autorização das autoridades venezuelanas”, conforme diz o documento, divulgado pela teleSUR. 

“Graças a esta primeira operação conjunta bem-sucedida, o navio encontra-se navegando de volta a águas venezuelanas para sua custódia e as ações pertinentes”, declarou a PDVSA. 

Mais cedo, a Guarda Costeira dos Estados Unidos apreendeu um quinto navio petroleiro, chamado Olina, em águas próximas à Venezuela, informou o The Wall Street Journal, na sexta-feira (9). O petroleiro Olina, anteriormente conhecido como "Minerva M", já havia sido sancionado pelos Estados Unidos por transportar petróleo russo.

Mais cedo, o chanceler venezuelano, Yván Gil, declarou que Caracas decidiu “iniciar um processo exploratório de caráter diplomático com o Governo dos Estados Unidos da América”, de acordo com comunicado divulgado pela teleSUR, emitido no contexto das agressões dos EUA à Venezuela e da chegada de diplomatas estadunidenses a Caracas. 

Em relação ao petróleo venezuelano, o Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês) declarou na última semana que Washington está revertendo seletivamente as sanções para viabilizar seu transporte e comercialização. Além disso, a Casa Branca declarou que os Estados Unidos estão trabalhando com as autoridades interinas da Venezuela no "acordo energético histórico” entre os dois países. A PDVSA confirmou posteriormente em nota oficial que busca chegar a um acordo com os EUA para a venda do petróleo bruto do país.

Washington passou a comercializar o petróleo bruto venezuelano no mercado internacional em benefício dos Estados Unidos, da Venezuela e de aliados norte-americanos, acrescentou o departamento. Segundo o comunicado do DOE, petróleo leve dos EUA será enviado à Venezuela para otimizar a produção e o transporte do petróleo, extremamente pesado, venezuelano.

As tratativas surgem em meio a uma forte queda nas exportações de petróleo da Venezuela, decorrente do bloqueio imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os petroleiros sancionados pelos EUA. Embarcações ficaram paralisadas na última semana porque os capitães dos portos venezuelanos não receberam pedidos de autorização para a saída de navios já carregados.

No dia 3 de janeiro, os EUA lançaram um ataque de grandes proporções contra a Venezuela, sequestrando o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que Maduro e Flores enfrentariam julgamento por suposto envolvimento em “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos. Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU em razão da operação norte-americana. O Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que foi oficialmente empossada como presidente encarregada perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro.

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