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Após sequestro de Maduro, Exxon exige reformas econômicas para voltar à Venezuela

Presidente-executivo da Exxon Mobil defendeu a implementação de políticas neoliberais no setor de petróleo. Ele considera o país "uninvestable"

O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, participa de uma entrevista com a Reuters em São Paulo, em 7 de novembro de 2025. (Foto: REUTERS/Maycon Mota)

247 - O presidente-executivo da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou que a gigante petrolífera norte-americana está pronta para avaliar um possível retorno à Venezuela, em um movimento que seria surpreendente, quase 20 anos depois de seus ativos no país sul-americano terem sido nacionalizados pelas autoridades bolivarianas. As declarações foram feitas na sexta-feira (9), durante uma reunião na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, organizada às pressas menos de uma semana após a invasão dos EUA à Caracas e o sequestro internacional do presidente da Venezula, Nicolás Maduro, e sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, que foram levados a Nova York, EUA. 

As negociações entre a estatal petroleira venezuelana PDVSA e autoridades dos Estados Unidos para a venda de petróleo bruto venezuelano ainda estão em andamento, mas o primeiro carregamento de petróleo bruto venezuelano roubado pelos EUA já foi enviado à Venezulana na sexta-feira, no âmbito das tratativas, conforme anunciou a PDVSA em comunicado na noite de sexta-feira. 

Contudo, Woods disse que a Venezuela é atualmente “não investível” e defendeu a implementação de políticas neoliberais. “É absolutamente fundamental, no curto prazo, que consigamos colocar uma equipe técnica no país para avaliar o estado atual da indústria e dos ativos, entender o que será necessário para ajudar o povo da Venezuela a colocar a produção de volta no mercado”, disse Woods, acrescentando que a visita poderia ocorrer assim que garantias adequadas de segurança fossem estabelecidas. As declarações foram divulgadas pela agência Reuters.

Ele afirmou a Trump que a Exxon precisa da introdução do que chamou de 'proteções duradouras aos investimentos' e que a lei de hidrocarbonetos do país também 'precisa' ser reformada, segundo a Reuters. “Nós já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes. Portanto, é possível imaginar que retornar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente e ao que é a situação atual”, disse o executivo.

Golpe atende interesses da Exxon

Na última semana, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Reinaldo Moncada Acosta, afirmou que Washington estava ameaçando Caracas para agradar grandes corporações petrolíferas, como a ExxonMobil e a ConocoPhillips. 

“O governo dos Estados Unidos está ameaçando um ataque armado contra a Venezuela para satisfazer as grandes corporações de petróleo, em particular a ConocoPhillips e a ExxonMobil, que são pioneiras no roubo do petróleo venezuelano”, disse Moncada. 

Na ocasião, o embaixador criticou Washington por sua dependência do petróleo e descreveu as ações mais recentes dos EUA como “sangue por petróleo”.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grandes proporções contra a Venezuela, sequestrando o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que Maduro e Flores enfrentariam julgamento por suposto envolvimento em “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos. Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU em razão da operação norte-americana. O Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que foi oficialmente empossada como presidente encarregada perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro.

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