México diz que agentes da CIA mortos atuavam sem autorização no país
Governo de Claudia Sheinbaum abre investigação e reforça defesa da soberania após operação contra cartéis em Chihuahua
247 - O governo do México afirmou que os dois agentes da CIA mortos após uma operação no norte do país não tinham autorização para atuar em território mexicano. A informação foi divulgada pelo Gabinete de Segurança neste sábado e ocorre em meio a uma crise diplomática envolvendo a atuação de agentes estrangeiros. As informações são do jornal O Globo.
A declaração reforça o posicionamento da presidente Claudia Sheinbaum, que já havia determinado a abertura de uma investigação e classificado o episódio como uma possível violação dos protocolos de segurança nacional. O caso também reacende o debate sobre os limites da cooperação entre México e Estados Unidos no combate ao narcotráfico.
Segundo comunicado oficial, um dos cidadãos americanos entrou no país com visto de visitante, o que não permite o exercício de atividades remuneradas, enquanto o outro apresentou passaporte diplomático. Ainda assim, as autoridades mexicanas afirmaram não ter qualquer registro ou conhecimento prévio da presença de agentes estrangeiros envolvidos em operações no país.
A ocorrência está ligada a uma ação contra estruturas do tráfico de drogas no estado de Chihuahua. Durante a operação, um veículo que transportava os dois agentes e dois policiais mexicanos saiu da pista, caiu em um barranco e explodiu, resultando na morte dos quatro ocupantes.
O episódio gerou preocupação dentro do governo mexicano por possível descumprimento da Lei de Segurança Nacional, reformada em 2020 durante a gestão do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. A legislação restringe a atuação direta de agentes estrangeiros, limitando a cooperação internacional ao compartilhamento de informações e apoio técnico.
Diante das versões divergentes, o embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, afirmou inicialmente que os americanos eram “funcionários da embaixada” envolvidos em apoio às autoridades locais. Já o Departamento de Estado e a CIA não comentaram o caso, enquanto a Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, pediu “um pouco de compaixão” diante das mortes, sem confirmar oficialmente a identidade dos agentes.
O governo mexicano, por sua vez, reiterou sua posição institucional. Em declaração pública, Sheinbaum foi enfática ao afirmar: “Não aceitamos participação em campo, em operações. Isso está muito claro”. A presidente acrescentou ainda: “Em todos os casos dissemos ao presidente Trump que isso não é necessário. A forma como estamos colaborando tem sido muito boa, e qualquer outro cenário violaria nossa Constituição e nossas leis. Somos muito rigorosos na defesa da soberania nacional”.
No âmbito local, a governadora de Chihuahua, María Eugenia Campos Galván, anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar tanto o desmantelamento de laboratórios clandestinos quanto as circunstâncias do acidente.
O caso ocorre em um contexto de crescente pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por maior envolvimento direto no combate aos cartéis na América Latina. Nos últimos meses, o republicano tem defendido ações mais incisivas na região, incluindo operações conjuntas e classificações mais rígidas para organizações criminosas.
Apesar disso, o governo mexicano mantém posição cautelosa, buscando preservar a cooperação bilateral sem abrir mão da soberania nacional. O Gabinete de Segurança reiterou, em nota, seu “profundo pesar” pelas mortes, mas reforçou que qualquer atuação estrangeira deve respeitar rigorosamente a legislação do país.


