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México suspende envio de petróleo a Cuba e fala em decisão soberana

Claudia Sheinbaum afirma que interrupção é temporária e nega pressão dos Estados Unidos

Bandeira cubana é exibida perto da Embaixada dos EUA em Havana, Cuba - 17/09/2025 (Foto: REUTERS/Norlys Perez)

247 - O governo do México suspendeu, ao menos temporariamente, o envio de petróleo a Cuba. A informação foi confirmada pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, na terça-feira (27), ao comentar questionamentos sobre as operações da estatal Pemex com a ilha caribenha. Segundo ela, a medida está relacionada a oscilações normais no fornecimento de petróleo e não decorre de pressões externas.

De acordo com a Associated Press (AP), Sheinbaum adotou um tom cauteloso ao tratar do tema, destacando que a decisão foi tomada de forma autônoma pelo Estado mexicano, em meio a um contexto de crescente pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o México se distancie do governo cubano.

Durante entrevista coletiva matinal, a presidente afirmou que a relação energética entre os dois países é regida por contratos específicos. “A Pemex toma decisões na relação contratual que tem com Cuba”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Suspender é uma decisão soberana e é tomada quando necessário”.

As declarações ocorrem em um momento de endurecimento da política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a Cuba. O governo norte-americano tem ampliado sanções e buscado isolar a ilha, que enfrenta uma grave crise energética e econômica. Trump afirmou recentemente que o governo cubano estaria próximo do colapso e declarou que Cuba não receberia mais petróleo da Venezuela após uma operação militar dos Estados Unidos que derrubou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Historicamente, o fornecimento de petróleo mexicano tem sido um dos principais suportes energéticos de Cuba. Segundo relatório mais recente da Pemex, a estatal enviou quase 20 mil barris de petróleo por dia à ilha entre janeiro e terça-feira (30) de setembro de 2025. No mesmo mês, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, visitou a Cidade do México. Após a visita, o especialista Jorge Piñon, do Instituto de Energia da Universidade do Texas, afirmou que o volume havia caído para cerca de 7 mil barris diários, com base em monitoramento por satélite.

Sheinbaum afirmou que o México continuará demonstrando solidariedade a Havana, mas não detalhou que tipo de apoio será mantido. Nas últimas semanas, ela havia prometido divulgar dados claros sobre as exportações de petróleo para Cuba, o que ainda não ocorreu. Nem o governo cubano nem a Pemex responderam de imediato aos pedidos de comentário.

Para Piñon, o cenário é de incerteza. Segundo ele, a presidente mexicana caminha em uma linha tênue entre o discurso político de apoio a Cuba e as negociações comerciais com Washington. O especialista avaliou que Sheinbaum está “andando na corda bamba” diante das pressões dos Estados Unidos, que tendem a se intensificar, especialmente no contexto das exigências do governo Trump por resultados mais duros no combate aos cartéis de drogas no México.

Enquanto isso, em Havana, a possível redução do fornecimento de petróleo já gera apreensão. Motoristas enfrentaram longas filas para abastecer, uma cena comum na ilha. Alguns disseram não estar excessivamente preocupados, mas outros demonstraram ansiedade quanto ao futuro.

Rolando Graña, de 40 anos, funcionário do aeroporto, passou duas horas em uma fila de combustível durante seu dia de folga. “Isso vai nos afetar muito mais agora”, afirmou.

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