Milei é alvo de protestos de universidades argentinas
Mobilização cobra cumprimento da Lei de Financiamento Universitário e recomposição do orçamento
247 - Estudantes, professores, funcionários não docentes e reitores de universidades nacionais da Argentina participam nesta terça-feira, 12 de maio, de uma nova mobilização em defesa da educação pública, da pesquisa científica e da recomposição do orçamento universitário. As informações são da teleSUR.
A quarta Marcha Federal Universitária tem como principal reivindicação o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário e a recuperação dos recursos destinados ao ensino superior, em meio a uma queda real de 29% no investimento em educação desde 2023. O protesto também denuncia o congelamento orçamentário, a perda do poder de compra e a suspensão da aplicação da norma aprovada pelo Congresso.
A mobilização foi convocada com apoio da Federação Universitária Argentina, da Frente Nacional de Sindicatos Universitários e do Conselho Interuniversitário Nacional. O ato central está previsto para ocorrer na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, com concentração às 16h no horário local e evento principal marcado para as 17h.
A pressão sobre o governo de Javier Milei ocorre em um cenário de forte tensão entre a comunidade acadêmica e o Poder Executivo. Universidades nacionais afirmam enfrentar dificuldades crescentes para manter atividades de ensino, pesquisa, extensão e serviços essenciais, como os hospitais universitários.
Atos se espalham por várias províncias argentinas
A Marcha Federal Universitária também terá mobilizações em diferentes regiões do país. Em La Plata, a Universidade Nacional de La Plata marchará sob o lema “Milei, cumpra a lei”, após uma semana de ações sindicais em defesa do financiamento público.
Em Mar del Plata, a concentração começará às 16h no Complexo Universitário e seguirá até o Monumento de San Martín. Em Tucumán, o protesto terá início às 15h na Reitoria e seguirá em direção à Plaza Independencia.
Na província, Anahí Rodríguez, secretária-geral da Adiunt, afirmou que o setor enfrenta “o menor salário da história”. A declaração resume uma das principais queixas da mobilização: a deterioração dos vencimentos de docentes e trabalhadores universitários diante da inflação e do ajuste fiscal.
Em Córdoba, os manifestantes se reunirão às 15h no Monumento à Reforma e seguirão até o Pátio Olmos, onde está previsto um ato às 17h30. Em Rosário, a concentração será às 15h30 na Praça San Martín, com marcha até o Monumento à Bandeira Nacional.
Em Mendoza, a saída ocorrerá às 16h no campus da Universidade Nacional de Cuyo. Já em Ushuaia, a mobilização começará no mesmo horário na Plaza Malvinas Argentinas.
Orçamento universitário tem queda real desde 2023
A base das reivindicações está em dados orçamentários oficiais e em levantamentos apresentados por entidades do setor. Segundo relatório da associação Justiça Distributiva citado pela teleSUR, os gastos reais com ensino superior caíram 29% entre 2023 e 2025, atingindo o menor nível desde 2006.
O orçamento de 2026, de acordo com os representantes universitários, aprofunda essa tendência. O reitor da Universidade Nacional de Rosário, Franco Bartolacci, afirmou que as universidades operam atualmente com apenas 0,4% do Produto Interno Bruto, enquanto as transferências nacionais recuaram mais de 45% desde 2023.
Em Mendoza, a reitora Esther Sánchez alertou para a situação salarial dos docentes. Segundo ela, um professor em tempo integral recebe 1.500.000 pesos por mês, valor que “torna materialmente impossível sustentar uma família”.
A perda de poder aquisitivo é apontada pelas entidades universitárias como um dos fatores centrais da crise. Além dos salários, as instituições relatam dificuldades para custear despesas de funcionamento, manutenção de estruturas acadêmicas e continuidade de projetos científicos.
Disputa sobre lei de financiamento chega ao Judiciário
A crise também envolve uma disputa institucional em torno da Lei 27.795, aprovada em outubro de 2025 após a derrubada do veto presidencial. A norma determina a atualização das dotações orçamentárias e prevê reajustes salariais para o setor universitário.
O governo Milei suspendeu a implementação da lei sob o argumento de falta de recursos. A decisão foi parcialmente revertida por liminares e segue em análise no Supremo Tribunal Federal.
Enquanto o impasse jurídico continua, a comunidade universitária sustenta que a falta de verbas ameaça o funcionamento regular das instituições, compromete a pesquisa científica, reduz atividades de extensão e coloca em risco a operação de hospitais universitários ligados às universidades nacionais.
A quarta Marcha Federal Universitária, portanto, ocorre como resposta direta ao ajuste aplicado ao setor e busca ampliar a pressão social pelo cumprimento da lei e pela recomposição do financiamento da educação pública argentina.



