Milei é acusado de financiar rede de fake news contra Sheinbaum e Petro
Áudios apontam aporte de US$ 350 mil para atacar governos progressistas na América Latina
247 – O presidente da Argentina, Javier Milei, teria aportado US$ 350 mil para montar uma estrutura regional de comunicação destinada a promover uma campanha midiática contra a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.
A informação foi publicada pelo jornal mexicano La Jornada, com base em reportagem do Página 12, que cita uma investigação do Diario Red América Latina, dirigido pelo espanhol Pablo Iglesias, e do portal Hondurasgate.
Segundo áudios atribuídos ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, preso nos Estados Unidos por narcotráfico em 2024, condenado a 24 anos de prisão e posteriormente indultado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o objetivo seria criar uma “unidade de jornalismo digital” instalada em território estadunidense para atacar governos de esquerda na região.
Em uma das gravações, Hernández afirma que Milei teria papel importante na articulação. “Vamos montar uma célula, presidente. A partir daqui, dos Estados Unidos, para que não nos rastreiem aí em Honduras. Vai ser como um site de notícias latino-americanas”, disse, segundo o material citado.
Ataques a México, Colômbia e Honduras
Ainda de acordo com os áudios, Hernández menciona a preparação de ofensivas contra México, Colômbia e Honduras. Em uma gravação de 30 de janeiro, ele afirma ter conversado com Milei.
“Estive em uma ligação com o presidente Javier Milei e foi bem-sucedida. Muito, muito, muito boa, e eu acho que neste ponto podemos fazer grandes coisas por toda a América Latina. Vêm aí uns dossiês contra o México, vêm aí uns dossiês contra a Colômbia e, o mais importante, contra Honduras, neste caso contra a família Zelaya”, afirmou Hernández, conforme a investigação.
Em outra conversa, ele diz à vice-presidenta de Honduras, María Antonieta Mejía, que precisava de recursos para instalar um escritório nos Estados Unidos, com apoio de republicanos, com o objetivo de “atacar e extirpar o câncer da esquerda” em Honduras e em toda a América Latina.
Trump, Israel e a articulação continental
A reportagem afirma ainda que Hernández, beneficiado por indulto concedido por Donald Trump, atribuiu sua libertação ao apoio financeiro de uma “junta de rabinos” e disse que suas ações deveriam favorecer os Estados Unidos e Israel.
Segundo o relato, o ex-presidente hondurenho teria defendido a criação de uma “estrutura jurídica que favoreça as empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos e de Israel”.
A investigação também vincula a articulação a uma ofensiva regional mais ampla, com participação de setores ligados ao governo Trump e à direita latino-americana.
Milei enfrenta desgaste interno
As revelações tiveram forte repercussão na Argentina, onde Milei enfrenta queda de popularidade e questionamentos no Parlamento sobre manobras militares terrestres e aéreas realizadas na Patagônia.
Segundo a reportagem, parte do território patagônico teria sido entregue a empresas estrangeiras e, no plano militar, ao Comando Sul dos Estados Unidos. A denúncia também menciona a presença de 17 mil soldados israelenses na região.
O caso amplia o desgaste político do governo argentino e reforça as suspeitas sobre a participação de Milei em uma ofensiva continental de desinformação contra lideranças progressistas da América Latina.


