Milei propõe reforma eleitoral na Argentina e acende alerta na oposição
Mudanças no sistema eleitoral e no financiamento partidário colocam oposição em alerta a um ano e meio das eleições de 2027
247 - A proposta de reforma eleitoral apresentada pelo presidente Javier Milei, que altera o sistema eleitoral e o financiamento partidário na Argentina, colocou a oposição em alerta a cerca de um ano e meio das eleições presidenciais de 2027. A iniciativa inclui mudanças estruturais que podem impactar diretamente a dinâmica política do país e intensificar disputas no Congresso.
Segundo informações da agência Prensa Latina, o anúncio foi feito pelo próprio presidente na terça-feira (21), por meio da rede social X, antecipando o envio do projeto ao Parlamento. A proposta integra um conjunto mais amplo de reformas prometidas por Milei no início das sessões legislativas deste ano.
O chefe do Executivo afirmou: "Amanhã enviaremos a reforma eleitoral ao Congresso. Eliminaremos as primárias: basta de obrigar os argentinos a pagar pelas eleições internas da elite. Mudaremos o financiamento: acabou a política que vive do seu dinheiro. Começa do zero: os corruptos estão fora para sempre. A impunidade acabou. Acabou a festa. Viva a liberdade, dane-se!".
Entre os principais pontos do projeto está a eliminação das eleições primárias, mecanismo utilizado pelos partidos para definir seus candidatos a cargos como presidente, vice-presidente e governadores. A medida, segundo o governo, busca reduzir custos e evitar disputas internas, mas gera preocupações entre diferentes setores políticos.
Outro eixo central da proposta é a reformulação do financiamento partidário. O texto abre caminho para a ampliação do financiamento privado, sem a definição de limites claros até o momento. Esse ponto, inclusive, já provocou questionamentos dentro do próprio campo aliado, como no caso do PRO (Partido Republicano), considerado um dos principais apoiadores do governo.
A proposta também dialoga com a chamada Lei da Ficha Limpa, defendida por aliados de Milei, que pretende impedir a candidatura de pessoas condenadas por corrupção, inclusive quando as sentenças tenham sido confirmadas em instâncias de apelação.
Mesmo antes de ser formalmente apresentada ao Congresso, a iniciativa já provocou reações críticas e rejeição por parte da oposição, incluindo setores que mantêm proximidade com o partido governista La Libertad Avanza. A expectativa é de que o debate parlamentar seja intenso, diante das implicações políticas e institucionais das mudanças propostas.


