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Mobilização estudantil contra Kast termina em repressão no Chile

Mesmo diante da repressão policial, estudantes permaneceram mobilizados

Protesto no Chile contra o presidente José Antonio Kast (Foto: Vídeo/teleSUR)
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247 - No Chile, milhares de estudantes foram às ruas para rejeitar as reformas promovidas pelo governo do ultradireitista José Antonio Kast. Os manifestantes não conseguiram chegar ao destino final da mobilização, pois foram alvo de uma brutal repressão, de acordo com a teleSUR

As manifestações, convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), foi marcada por confrontos com a polícia e denúncias de repressão por parte dos participantes. Participam da mobilização milhares de estudantes, professores, trabalhadores da saúde e servidores públicos.

Na última quarta-feira (3), manifestantes pretendiam percorrer a tradicional La Alameda, principal avenida de Santiago, mas não conseguiram chegar ao destino final da marcha devido à ação das forças de segurança, os "Carabineros de Chile".

Segundo os organizadores, a decisão das autoridades de impedir o trajeto foi um fator que contribuiu para o agravamento da tensão. 

Mario Aguilera, presidente do Colégio de Professores, criticou a postura do governo.

"Há uma repressão que não se justifica. Uma provocação ao não autorizar a marcha pela Alameda, por onde ela sempre passa. O presidente Kast e seu grupo de apoio, quando tiveram que protestar, também lutaram pela Alameda. Também marcharam pela Alameda. Por quê? Porque é uma tradição no Chile marchar pela Alameda. Hoje isso é impedido. Isto é apenas uma provocação. O governo buscou provocar isso, buscou gerar esta situação para justificar a repressão."

A marcha reuniu estudantes universitários e secundaristas, além de representantes de diferentes categorias profissionais. Muitos participantes afirmaram que estavam mobilizados para defender a educação pública e a gratuidade do ensino.

Sofia, estudante universitária, relatou o clima de insegurança durante a manifestação.

"Não estamos fazendo mal a ninguém. E aqui estão. Estamos todos protegidos, com medo de que algo nos aconteça, porque estamos lutando junto com outros em defesa dos nossos direitos."

Pedro, estudante de Psicologia, afirmou que os protestos são uma reação às mudanças promovidas pelo governo.

"Porque estão violando os direitos que temos como estudantes, a gratuidade."

Na mesma linha, Isidora, estudante universitária, argumentou que as medidas afetam um sistema educacional que já enfrenta dificuldades.

"Estão nos tirando grande parte do que significa a educação no Chile, que já é precária. Então estamos tentando colocar isso de pé novamente."

Mesmo diante da repressão policial, estudantes permaneceram mobilizados. Manifestantes relataram o uso de gás lacrimogêneo e ações para dispersar a marcha.

Maria Ignacia, estudante de Pedagogia, afirmou que os problemas enfrentados pela educação chilena são anteriores ao atual governo.

"Porque hoje podemos ver que existe um abandono educacional que não vem apenas deste governo, mas de muito tempo atrás. Tudo o que tem a ver com o contexto estudantil, assumir a responsabilidade pela educação e pela qualidade educacional, não recebe a devida atenção. Isso é deixado de lado, fica para trás, e hoje os estudantes assumem essa responsabilidade e são protagonistas da luta. É por isso que lutamos."

Durante o ato, manifestantes entoavam palavras de ordem, entre elas: "E vai cair, e vai cair a educação de Pinochet".

De acordo com participantes, a polícia cercou grupos de manifestantes próximos ao rio Mapocho. Diego Torres, porta-voz da Confech, afirmou que a ação demonstra a falta de disposição do governo para dialogar com o movimento estudantil.

"Acabou a possibilidade de diálogo? Ou seja, é isso que este governo quer demonstrar: que está completamente fechado ao diálogo com os estudantes. Esta repressão é um fechamento. O diálogo com os estudantes não pode ser tomar decisões a portas fechadas, pelas costas da sociedade e dos movimentos sociais. Este governo não está aberto ao diálogo. É um governo do ultradireitista José Antonio Kast, filho da ditadura, que governa para os mais poderosos deste país."

Representantes de outras categorias também manifestaram apoio ao movimento. Andrés Espinoza, da Associação de Funcionários da Saúde de Puente Alto, afirmou que a mobilização ultrapassou o âmbito estudantil.

"Hoje vemos uma repressão que não nos permite nos manifestar. Vários companheiros também estão bastante machucados. Nós acreditamos que isso vai continuar. Também vamos apoiar esses movimentos porque isto já é uma luta de múltiplas categorias."

A avaliação dos participantes sobre os acontecimentos foi crítica. Darly, porta-voz da Aces, organização de estudantes secundários, classificou o episódio como o mais grave enfrentado pelo movimento.

"Esta foi a pior repressão que já vivemos. Estão agredindo nossos companheiros, levando os detidos e interrompendo a mobilização pela metade."

Yasna Sanchez Rubio, da Federação Nacional de Organizações Assistentes da Educação Pública, também condenou a atuação policial.

"Rejeitamos. Rejeitamos a brutal repressão sofrida pelos estudantes. E também pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras."

Em meio às manifestações, José Aburto Alegría, trabalhador portuário da região sul do Chile, dirigiu uma mensagem de apoio aos estudantes.

"Quero parabenizá-los porque isso significa que nós não lutamos em vão. Continuem lutando, companheiros, porque a caminhada é longa. Obrigado. Obrigado."

Ao final da jornada, os organizadores indicaram que as mobilizações devem continuar nas próximas semanas. Para os movimentos estudantis e sindicais presentes, a manifestação representa apenas o início de uma nova etapa de protestos contra as reformas educacionais e outras medidas do governo de José Antonio Kast.

Agressões e detenções de jornalistas pela polícia

O Observatório do Direito à Comunicação (ODC) denunciou na sexta-feira (5) que pelo menos nove repórteres sofreram agressões físicas e detenções arbitrárias por parte dos Carabineiros durante os protestos estudantis realizados em Santiago do Chile contra os cortes na educação promovidos pelo governo  Kast.

A organização documentou abusos que incluem o lançamento de gás lacrimogêneo, a destruição de credenciais de imprensa e a apreensão de equipamentos técnicos, classificando o cenário como um retrocesso institucional.

“É especialmente grave que uma das formas mais severas de violência contra a imprensa venha de agentes do Estado que atuam contra pessoas que estão realizando trabalhos de registro e divulgação de informações de interesse público”, afirmou o observatório.

Segundo a denúncia, as forças policiais agrediram diretamente jornalistas, repórteres fotográficos, comunicadores populares e estudantes de jornalismo que faziam a cobertura das mobilizações estudantis.

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