ONU amplia plano humanitário para Cuba em meio à crise energética
Nova estratégia busca atender 2 milhões de pessoas e reforçar serviços essenciais
247 - O Sistema das Nações Unidas apresentou um Plano de Ação Ampliado para Cuba, com o objetivo de intensificar a resposta humanitária no país diante dos efeitos combinados do furacão Melissa e da atual crise energética. A iniciativa foi elaborada em parceria com o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e em diálogo direto com autoridades cubanas.
De acordo com informações divulgadas pela agência Prensa Latina, o plano busca atender às necessidades críticas de cerca de 2 milhões de pessoas, distribuídas em 63 municípios e oito províncias. A estratégia também pretende garantir a continuidade de serviços essenciais em um cenário considerado cada vez mais desafiador.
Plano ampliado prioriza setores essenciais
A nova etapa da resposta humanitária concentra esforços em sete áreas estratégicas: Logística, Saúde, Água e Saneamento, Segurança Alimentar, Habitação e Proteção e Educação. Muitas dessas frentes já vinham sendo trabalhadas desde a resposta inicial ao furacão Melissa, mas agora passam a incorporar as consequências da escassez energética.
Segundo Shelley Cheatham, chefe do escritório regional do OCHA para a América Latina e o Caribe, a prioridade é ampliar a eficiência da ajuda. “Em um contexto cada vez mais desafiador, buscamos garantir que a assistência humanitária chegue a quem mais precisa, superando as limitações logísticas e operacionais por meio de melhor coordenação e uso eficiente dos recursos”, afirmou.
O plano também prevê o uso de um modelo de rastreabilidade para otimizar a distribuição de combustível e assegurar acesso seguro, adaptado às necessidades específicas de cada setor atendido.
Crise energética agrava impactos sociais
As autoridades da ONU ressaltam que a crise energética tem provocado efeitos sistêmicos na vida nacional, agravando desafios já existentes. Entre os setores mais afetados está a saúde, com impactos diretos sobre a população.
Dados apresentados indicam que quase 100 mil procedimentos cirúrgicos foram adiados, além de atrasos em programas de vacinação e dificuldades no acesso contínuo a medicamentos para pacientes com doenças crônicas.
O coordenador residente do Sistema das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichón, destacou a centralidade do abastecimento energético para o sucesso das ações. “Estamos trabalhando com parceiros e Estados-membros para identificar todas as soluções possíveis”, declarou.
Financiamento ainda é insuficiente
Durante a apresentação do plano à comunidade internacional, Pichón agradeceu o apoio inicial recebido após o furacão Melissa, que mobilizou mais de 24 milhões de dólares em poucas semanas. No entanto, os recursos ainda estão abaixo do necessário.
O Plano de Ação Ampliado, que se estende até dezembro, exige um total de 93,4 milhões de dólares para atender a população afetada. Até o momento, apenas 27% desse montante foi garantido, o que acende um alerta sobre a necessidade de ampliar o financiamento internacional.
Diante desse cenário, a ONU reforça a urgência de mobilização de recursos para evitar o agravamento das condições humanitárias no país, especialmente entre as populações mais vulneráveis.


