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Petro convoca ato nacional em defesa da soberania colombiana

Mobilização ocorre após ameaças de Trump e reúne governo, sindicatos e diplomacia colombiana

O presidente colombiano, Gustavo Petro - 23/10/2025 (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou a realização de um grande ato público em defesa da soberania nacional, convocando a população a ocupar praças em todo o país diante das graves ameaças externas. A mobilização ocorre em meio a declarações ofensivas e insinuações de agressão feitas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o governo colombiano e seu chefe de Estado.

De acordo com a Agência Prensa Latina, o mandatário convocou a população a participar ativamente do movimento. “Levantem a bandeira colombiana em suas casas agora. Nos vemos na quarta-feira em todas as praças da Colômbia. Agora vamos defender a soberania nacional”, escreveu Petro nas redes sociais.

O principal ato ocorrerá às 16h00, no horário local, na Praça Bolívar, em Bogotá, onde ele pretende se dirigir diretamente à população. A convocação rapidamente recebeu o respaldo de organizações sociais e sindicais. O presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Fabio Arias, confirmou a adesão da entidade e fez um chamado público à mobilização. “Façamos sentir a nossa presença para defender a soberania e a democracia na Colômbia contra os anúncios de invasão militar e contra os ataques contra o presidente Gustavo Petro”, afirmou.

A escalada de tensões também mobilizou o corpo diplomático colombiano. Em entrevista coletiva realizada na véspera do evento, a ministra das Relações Exteriores, Rosa Yolanda Villavicencio, destacou a relevância do encontro diante do cenário atual. “Acho isso muito importante porque somos todos um só país que deve estar unido para defender essa soberania e essa dignidade, que talvez não tivéssemos visto ameaçadas antes e que hoje correm grande risco, e é hora de agir”, declarou.

No campo diplomático, o governo colombiano formalizou sua reação às declarações vindas de Washington. Um dia antes das manifestações, a Colômbia entregou uma nota de protesto ao governo dos Estados Unidos, citando ofensas reiteradas e declarações depreciativas contra o país e seu presidente. O vice-ministro das Relações Exteriores, Mauricio Jaramillo, levou a denúncia a uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA). “A Colômbia rejeita categoricamente, firmemente e inequivocamente as ameaças de uso da força ou qualquer ato de agressão contra o nosso território, bem como as declarações difamatórias e infundadas contra o nosso chefe de Estado, Gustavo Petro”, afirmou.

O episódio ganhou novos desdobramentos após declarações de  Donald Trump, que afirmou que “a Colômbia também está muito doente e é governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e enviá-la para os Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo”, insinuando em seguida a possibilidade de uma agressão armada.

Diante desse contexto, a diretora do Departamento Administrativo da Presidência da República, Angie Rodríguez, divulgou uma nota pública de apoio ao presidente colombiano, acompanhada por uma ampla representação da equipe governamental. No texto, ela explicou que a ofensiva contra Gustavo Petro estaria relacionada à sua atuação internacional. Segundo a dirigente, a perseguição ocorre em razão da “liderança global na defesa da soberania das nações, do multilateralismo, do apoio à causa palestina, da luta contra a crise climática e da busca incansável pela paz”.

A mobilização nacional, articulada entre governo, sindicatos e diplomacia, busca reafirmar a unidade interna do país em um momento de forte tensão internacional e de questionamentos à soberania colombiana.

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