Governo da Colômbia protesta contra ameaças de Trump
Governo da Colômbia anuncia envio de nota de protesto aos EUA após ameaças de Donald Trump contra o presidente Gustavo Petro
247 - A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Yolanda Villavicencio, confirmou nesta terça-feira (6) que o governo colombiano enviará uma nota formal de protesto aos Estados Unidos em reação às ameaças feitas pelo presidente Donald Trump contra o presidente colombiano, Gustavo Petro, segundo informações da CNN Brasil. Segundo a chanceler, a nota será apresentada durante uma reunião com o representante do governo dos EUA.
"A reunião que teremos hoje com o representante dos EUA é para apresentar nossa nota de repúdio a essas ofensas, que não são dirigidas apenas ao presidente Gustavo Petro", afirmou. Villavicencio também ressaltou que as declarações de Trump atingem diretamente o povo colombiano. "Queremos que entendam que ele é o nosso presidente eleito democraticamente. Uma ofensa contra o presidente é uma ofensa contra o nosso país", acrescentou.
Ofensas e acusações de Trump
Os ataques que motivaram o protesto foram feitos no domingo (4), quando Trump descreveu, sem provas, Petro como "um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e não fará isso por muito tempo". Questionado por um repórter se os comentários indicariam a possibilidade de uma futura operação na Colômbia, Trump respondeu: "parece-me bom".
Posição sobre a Venezuela
Durante a entrevista, Yolanda Villavicencio também condenou a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela ocorrida no fim de semana. Ela afirmou que, embora a Colômbia mantenha o não reconhecimento das eleições venezuelanas de 2024, o país respeita o sistema jurídico da Venezuela que resultou na posse de Delcy Rodríguez como presidente interina após a captura de Nicolás Maduro.
A chanceler informou ainda que manteve contatos com o governo venezuelano e que a Colômbia não recebeu pedidos de asilo por parte de líderes chavistas. Villavicencio afirmou que a posição colombiana defende uma saída negociada para a crise venezuelana.
Segundo ela, a Colômbia busca "uma solução para a Venezuela que passe pelo diálogo e pela decisão autônoma dos venezuelanos, (e) que eles encontrem o caminho para chegar a um consenso sobre a melhor maneira para o país continuar com um governo que possa superar (a crise)".
Reação de Petro às agressões dos EUA
Nesta terça-feira (6), Gustavo Petro voltou a criticar publicamente a política externa dos Estados Unidos. Em uma publicação no X (antigo Twitter), o presidente colombiano sugeriu que Trump pretende transformar países da América Latina em colônias estadunidenses. "Se você ler os primeiros parágrafos da política de segurança nacional, entenderá que a Doutrina Monroe visa tornar as nações soberanas da América Latina novamente em colônias", escreveu Petro.
Na mesma postagem, o presidente afirmou que essa visão contraria o direito internacional. "Isso vai completamente contra o direito internacional. É a mesma doutrina em torno do espaço vital que Hitler usou e que causou duas guerras mundiais", acrescentou.
Em outra publicação, Petro fez um apelo direto aos eleitores dos Estados Unidos para que defendam a democracia em âmbito internacional. "Não importa de que cor, partido ou estado essas pessoas são, elas precisam agir, a paz mundial e o futuro da existência humana estão em perigo", escreveu.



