Petro nega ter sido notificado sobre investigação dos EUA por suposta ligação com narcotráfico
Presidente colombiano diz não ter sido notificado e critica acusação sem provas
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, negou na sexta-feira (20) qualquer ligação com o narcotráfico após a divulgação de reportagens que apontam possíveis investigações nos Estados Unidos envolvendo seu nome. Segundo o mandatário, não há qualquer apuração em andamento no país relacionada a esse tipo de acusação. De acordo com a CNN Brasil, a Embaixada da Colômbia em Washington também afirmou não ter recebido nenhuma notificação formal de autoridades americanas sobre eventuais investigações contra o presidente colombiano.
Petro rebate acusações e cita histórico político
Em publicação nas redes sociais, Petro reagiu de forma contundente às alegações. “Na Colômbia, não há uma única investigação sobre meu relacionamento com narcotraficantes, por um motivo simples: nunca na minha vida falei com um narcotraficante. Pelo contrário, dediquei dez anos da minha vida, correndo grande risco pessoal e até forçando minha família ao exílio, a denunciar as ligações entre os narcotraficantes mais poderosos e políticos no Congresso da República e nos governos locais e nacionais com esses narcotraficantes durante o que chamo de era do governo paramilitar”, escreveu Petro na rede social X, antigo Twitter.
A declaração ocorreu após a repercussão de uma reportagem que menciona um artigo do jornal estadunidense The New York Times. Segundo a publicação, ao menos dois escritórios de procuradores federais dos Estados Unidos estariam investigando possíveis vínculos de Petro com o narcotráfico, incluindo encontros com criminosos e supostas doações para sua campanha presidencial.
Governo colombiano contesta relatório
O governo colombiano reagiu oficialmente por meio de sua embaixada nos Estados Unidos, que rejeitou o conteúdo divulgado e apontou falta de comprovação. “Nenhuma autoridade competente (dos EUA) emitiu qualquer determinação ou notificação formal, nem confirmou as alegações mencionadas no relatório. As insinuações nele contidas carecem de qualquer fundamento legal ou factual”, afirmou a representação diplomática.
A embaixada também reforçou o posicionamento do presidente, destacando seu histórico no enfrentamento ao crime organizado. Segundo o comunicado, Petro “confrontou o crime de forma consistente e inequívoca, tanto na Colômbia quanto durante seus anos de exílio, para o qual foi forçado após denunciar atos ilícitos”.
Tensão e reaproximação com washington
As declarações ocorrem em um contexto de reaproximação entre Colômbia e Estados Unidos após um período de tensões diplomáticas. Na semana anterior, Petro conversou por telefone por cerca de 30 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A ligação abordou temas como cooperação energética, combate ao narcotráfico e a situação na Venezuela. O contato foi o segundo entre os dois líderes desde que Trump retornou à Casa Branca em janeiro de 2025.
Antes disso, a relação entre os dois países havia sido marcada por críticas públicas, suspensão de apoio financeiro e ameaças de sanções. Em ocasiões anteriores, Trump chegou a acusar Petro de envolvimento com o narcotráfico, o que foi reiteradamente negado pelo presidente colombiano.
Após esse período de atritos, os dois governos iniciaram um processo de reconstrução do diálogo. Em janeiro, concordaram em restabelecer canais diretos de comunicação, o que abriu caminho para um encontro presencial em Washington no início de fevereiro. Na ocasião, ambos classificaram o encontro como “muito bom” e destacaram um clima de “otimismo” nas relações bilaterais.


