Porta-voz de chancelaria chinesa reafirma apoio a Cuba diante de ameaças dos EUA
Pequim defende a soberania cubana e pede que Washington suspenda bloqueio e coerção política contra a ilha
247 - A China reafirmou seu apoio à soberania cubana diante de ameaças dos EUA e pediu que Washington suspenda o bloqueio e a coerção política contra a ilha, em meio a alertas de Havana sobre o risco de uma intervenção militar. As informações são da teleSUR.
O Ministério das Relações Exteriores da China, por meio do porta-voz Guo Jiakun, declarou que Pequim mantém uma posição histórica contrária a sanções unilaterais e reiterou seu respaldo a Cuba na defesa de sua segurança nacional. Segundo a diplomacia chinesa, medidas desse tipo carecem de base no direito internacional.
Guo Jiakun também cobrou que o governo dos Estados Unidos encerre imediatamente o bloqueio intensificado contra Cuba e abandone mecanismos de pressão política sobre o país caribenho. Para Pequim, essas ações atingem diretamente direitos fundamentais da população cubana, especialmente no que diz respeito à subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico.
Havana alerta para risco de intervenção
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, advertiu recentemente sobre os perigos de uma possível intervenção armada dos Estados Unidos. Ele classificou essa hipótese como um crime internacional e afirmou que uma ofensiva desse tipo provocaria um cenário de violência com consequências devastadoras e imprevisíveis para a região.
Díaz-Canel rejeitou a ideia de que Cuba represente ameaça à segurança de outros países. De acordo com o líder cubano, a ilha não possui planos ofensivos contra o território norte-americano, algo que, segundo ele, seria de conhecimento das próprias agências de defesa dos Estados Unidos.
O presidente cubano também afirmou que seu país já enfrenta uma ofensiva multidimensional de Washington. Ele defendeu o direito legítimo do povo cubano à autodefesa e ressaltou que essa posição não pode ser usada como pretexto para justificar uma guerra.
Chanceler cubano pede mobilização internacional
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou que a ilha está sob ameaça de agressão militar direta dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante a Reunião de Ministros das Relações Exteriores do BRICS, realizada na Índia na quinta-feira, 14 de maio.
“Apelamos à comunidade internacional para que se mobilize a fim de impedir uma aventura militar contra Cuba que causaria uma catástrofe humanitária, derramamento de sangue, a morte de cubanos e jovens americanos, desestabilizaria a região e teria consequências incalculáveis”, afirmou Rodríguez.
A fala do chanceler cubano reforça a preocupação de Havana com a escalada de ameaças vindas de Washington. Para o governo cubano, uma ação militar contra a ilha teria impacto não apenas bilateral, mas regional, ao comprometer a paz e a estabilidade no Caribe e na América Latina.
Declarações de Trump elevam tensão
As advertências de Cuba ocorrem após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um jantar privado durante um fórum político e empresarial em West Palm Beach, na Flórida, realizado em 1º de maio, Trump reiterou intenções beligerantes em relação à ilha.
Segundo o relato citado, Trump afirmou que, assim que seu “trabalho” no Irã estiver concluído, ele “assumirá o controle” de Cuba quase imediatamente. A declaração aumentou o alerta em Havana e foi interpretada pelo governo cubano como parte de uma escalada de pressão militar e política contra o país.
A posição chinesa, ao cobrar o fim do bloqueio e das sanções, reforça o isolamento diplomático das medidas coercitivas unilaterais contra Cuba em fóruns internacionais. Pequim sustenta que as divergências entre países devem ser tratadas com base no respeito à soberania nacional e ao direito internacional, e não por meio de ameaças militares ou pressões econômicas.



