Protestos contra Rodrigo Paz ampliam crise na Bolívia
Protestos contra Rodrigo Paz ampliam crise na Bolívia em meio a bloqueios da COB, escassez de alimentos e tensão social
Protestos contra Rodrigo Paz ampliam crise na Bolívia em meio a bloqueios da COB, escassez de alimentos e tensão social, com trabalhadores, movimentos sociais e camponeses mantendo a pressão pela renúncia imediata do presidente. As informações são da teleSUR.
De acordo com a teleSUR, as organizações reunidas na Central Operária Boliviana (COB), ao lado de movimentos populares e camponeses, decidiram manter os protestos e bloqueios em diferentes regiões do país após rejeitarem, de forma unânime, a convocação do governo para a retomada do diálogo.
COB rejeita negociação com o governo
A mobilização ocorre contra as medidas neoliberais adotadas pelo governo de Rodrigo Paz. A COB rejeitou a proposta de negociação apresentada pelo Executivo durante uma reunião nacional ampliada realizada no domingo, 31 de maio, e manteve a exigência de renúncia imediata do presidente.
Na segunda-feira, 1º de junho, uma marcha de trabalhadores percorreu cerca de 25 quilômetros entre a cidade de El Alto e as proximidades da Plaza Murillo, em La Paz, onde ficam as sedes dos poderes públicos bolivianos. A manifestação expressou repúdio às políticas do governo e à tentativa, denunciada pelas organizações, de restaurar um Estado neocolonial.
As entidades operárias também denunciam uma campanha de perseguição judicial contra lideranças do movimento social. Um dos principais pontos de tensão é o mandado de prisão em aberto contra Mario Argollo, principal dirigente da COB, que não foi suspenso pelo Judiciário.
Mais de 80 bloqueios afetam seis departamentos
Segundo dados da Administração Rodoviária Boliviana citados pela teleSUR, organizações populares mantêm mais de 80 bloqueios de estradas em seis dos nove departamentos do país. A maior concentração ocorre em Cochabamba, com 32 pontos de bloqueio, seguida por La Paz, com 19.
A paralisação do transporte terrestre agravou a escassez de alimentos e contribuiu para o aumento dos preços em La Paz e El Alto. A situação também foi afetada pela falta de gasolina, que já durava seis dias consecutivos, levando centenas de motoristas a protestar após permanecerem em filas por até quatro dias.
Em várias regiões, motoristas passaram a bloquear vias de forma independente, cobrando o fornecimento imediato de combustível. A crise de abastecimento ampliou a pressão social sobre o governo em um cenário de tensão que já ultrapassa 30 dias.
Crise se agrava após mudança sobre estado de emergência
A tensão aumentou depois que a Assembleia Legislativa, controlada pela direita em 93%, anulou a lei que limitava a declaração de estado de emergência. A medida abriu espaço para que o Executivo mobilize as Forças Armadas na repressão aos protestos sociais.
A decisão enfrenta resistência da COB, de sindicatos, movimentos sociais e organizações populares mobilizadas. Para os setores em protesto, a ampliação dos mecanismos de exceção representa uma tentativa de conter pela força as reivindicações sociais e políticas que se espalham pelo país.
Mediação segue paralisada
As iniciativas de mediação conduzidas de forma conjunta pela Igreja Católica, pela Vice-Presidência do Estado e pelo Provedor de Justiça permanecem paralisadas. O Gabinete do Provedor de Justiça alertou que a linguagem confrontativa, as ameaças e os insultos usados por porta-vozes do governo prejudicam qualquer possibilidade de reaproximação com lideranças sindicais e do transporte.
Enquanto as principais cidades enfrentam escassez de alimentos, combustíveis e insumos médicos essenciais nos centros públicos de saúde, o governo de Rodrigo Paz sustenta a validade de suas medidas. O Executivo afirma que os mecanismos constitucionais de exceção são o último recurso democrático para preservar a ordem interna.
O governo também argumenta que as mesas de negociação com os setores mobilizados estão esgotadas diante da intransigência das reivindicações políticas dos manifestantes. A posição mantém o impasse em um país pressionado simultaneamente por bloqueios, desabastecimento, alta de preços e crescente mobilização social.



