Rebelião popular na Bolívia derruba ministros
Renúncias na Defesa e na Educação ocorrem em meio a protestos contra Rodrigo Paz, bloqueios em estradas e pressão social por sua saída
247 - A crise na Bolívia se agravou com a renúncia do ministro da Defesa, Marcelo Salinas, e da ministra da Educação, Beatriz García, em meio a protestos contra Rodrigo Paz, bloqueios em estradas e pressão social por sua saída do poder. As informações são da Telesur.
Segundo a emissora, as duas baixas no gabinete ocorreram no 33º dia de mobilizações lideradas pela Central Operária Boliviana (COB) e por organizações camponesas em La Paz, em rejeição às políticas neoliberais implementadas pelo governo boliviano.
As renúncias foram apresentadas na terça-feira (2), após uma reunião interna de coordenação do Poder Executivo no Palácio do Governo, em La Paz. A saída simultânea dos dois ministros amplia a instabilidade política no país, que já havia registrado, em 21 de maio, a renúncia do ministro do Trabalho, Edgar Morales.
Fontes não oficiais citadas na reportagem afirmaram que Marcelo Salinas e Beatriz García deixaram seus cargos por se recusarem a assinar um decreto de estado de emergência após a promulgação da Lei 1732. O governo avalia essa medida como forma de autorizar a intervenção das Forças Armadas nos mais de 90 bloqueios de estradas registrados em oito regiões do país.
Marcelo Salinas estava à frente do Ministério da Defesa desde novembro de 2025. A pasta é considerada estratégica por sua relação direta com a supervisão das Forças Armadas e com a segurança do Estado. Com sua saída, o cargo será assumido por Ernesto Justiniano, que atuava como vice-ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas.
De acordo com meios locais citados pela Telesur, Justiniano, apontado como o atual responsável pela política antidrogas do governo, assumiria a função por orientação da embaixada dos Estados Unidos para conduzir uma intervenção no Trópico de Cochabamba, região considerada bastião do ex-presidente Evo Morales.
A reportagem informa ainda que Justiniano foi operador político de Rodrigo Paz no departamento de Santa Cruz e viajou recentemente aos Estados Unidos em busca de apoio para ações de combate ao narcotráfico. Durante sua gestão, foi acordado o retorno da Administração para o Controle de Drogas dos Estados Unidos, a DEA, à Bolívia.
Beatriz García, por sua vez, deixou o Ministério da Educação sem detalhar publicamente os motivos de sua saída e sem anunciar quem deverá substituí-la no cargo.
A dupla renúncia ocorre em um contexto de crescente pressão social sobre o governo. Antes de Salinas e García, Edgar Morales já havia deixado o Ministério do Trabalho após sucessivas cobranças da COB e de sindicatos fabris mobilizados nas ruas.
As organizações sociais mantêm a rejeição ao diálogo com o Executivo. Enquanto isso, a paralisação de vias afeta a economia das principais cidades do oeste boliviano e provoca desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz.
Entre as principais reivindicações dos setores mobilizados estão a renúncia de Rodrigo Paz, a libertação de dirigentes detidos, a anulação de anteprojetos de lei como a chamada Lei Antibloqueios e a rejeição às iniciativas de privatização defendidas pelo governo.
A tensão aumentou após a Assembleia Legislativa, controlada em 93% pela direita, anular a lei que limitava a declaração do estado de exceção. Essa decisão abriu caminho para que o Executivo incorporasse as Forças Armadas à repressão dos protestos sociais, diante da resistência da COB, de sindicatos, organizações populares e movimentos sociais mobilizados.
Com 33 dias de protestos, bloqueios em diferentes regiões e sucessivas baixas ministeriais, a Bolívia atravessa um dos momentos mais delicados do governo Rodrigo Paz, marcado pela pressão das ruas e pela ampliação do conflito entre o Executivo e os setores populares.



