Roberto Sánchez denuncia perseguição política após decisão da justiça do Peru
Ao reagir à decisão do tribunal, o candidato da esquerda afirmou que “o povo decidirá”. A votação para as eleições presidenciais já começou
247 - Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, que neste domingo (7) definirão quem governará o país no período de 2026 a 2031, o sistema judicial peruano decidiu levar a julgamento Roberto Sánchez, da coalizão "Juntos por el Perú". Segundo a última pesquisa, ele possui uma leve vantagem sobre a ultradireitista Keiko Fujimori, embora o cenário seja considerado, na prática, um empate técnico.
De acordo com a teleSUR, a decisão do tribunal, que ainda pode ser objeto de recurso, não impede a participação do candidato de esquerda na votação, mas afeta sua imagem política. Sánchez denunciou as acusações relacionadas ao financiamento partidário como uma manobra política de seus adversários e do Ministério Público para enfraquecer sua candidatura.
“Determina-se a notificação da acusação penal. Como consequência, declara-se que há fundamento para a realização de julgamento oral contra Roberto Sánchez Palomino”, decidiu o juiz Adolfo Farfán após uma audiência virtual.
Em uma publicação na rede X, Sánchez reagiu ao anúncio do tribunal afirmando que a decisão foi tomada em apenas 15 minutos e que “nem meus advogados nem eu conhecemos ainda os fundamentos dessa decisão”.
“Quando uma candidatura cresce e uma onda de esperança percorre o país, começam a aparecer aqueles que querem impor rótulos e frear aquilo que não conseguem derrotar democraticamente. Hoje tentam fazer isso comigo. Amanhã poderá ser qualquer peruano. O povo decidirá”, acrescentou.
Uma pesquisa do instituto Ipsos realizada nesta semana e divulgada na quinta-feira (4) apontou um empate técnico entre o candidato de esquerda (43,8%) e a ultradireitista Fujimori (43,2%). Outros 13% dos entrevistados afirmaram que votarão em branco ou anularão o voto.
Sánchez e Fujimori encerram campanha
Também na quinta-feira, organizações sociais e coletivos de direitos humanos do Peru manifestaram rejeição à campanha midiática que incentiva o voto em branco ou nulo para o segundo turno presidencial. Segundo essas entidades, a iniciativa contribui para fragmentar o voto popular e favorece indiretamente a candidatura da ultradireita.
Sánchez e Fujimori encerraram suas campanhas na quinta-feira, em Lima, no Peru, com comícios massivos, onde apresentaram suas propostas e buscaram conquistar os votos dos indecisos antes do segundo turno das eleições.
Eles buscaram conquistar os votos dos indecisos antes do segundo turno das eleições, realizado neste domingo.
Fujimori, que lidera o partido Força Popular, representa a opção da ultradireita e tem sustentado um discurso de firmeza diante do aumento da criminalidade que afeta o Peru.
Já Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, posicionou-se como a alternativa de esquerda. Seu objetivo é reunir os votos contrários ao fujimorismo, corrente política que remonta a 1990, durante o governo de Alberto Fujimori.
Tradução: O congressista da República do Peru, Roberto Sánchez, e a direitista Keiko Fujimori, encerraram suas campanhas às vésperas do segundo turno. Fujimori centrou seu discurso na segurança, enquanto Sánchez defendeu a convocação de um referendo para uma nova Constituição.
Porta-vozes das organizações advertiram que a candidatura de Keiko Fujimori representa um risco de retorno a esquemas de impunidade, corrupção e violações sistemáticas das liberdades fundamentais. Eles também pediram responsabilidade política aos eleitores independentes e defenderam o voto consciente para impedir o retorno do fujimorismo ao poder.
Denúncias de irregularidades no primeiro turno
O correspondente da teleSUR no Peru, Ramiro Ángulo, recordou neste domingo que no primeiro turno houve uma série de irregularidades, "devido aos atrasos nos centros de votação e o atraso na entrega de material eleitoral, levando o ex-candidato presidencial Rafael López Aliaga denunciasse uma série de irregularidades e promovesse uma campanha de fraude".
"É por isso que o dia de hoje, neste segundo turno, os órgãos eleitorais tomaram as precauções máximas para que o processo eleitoral ocorra com normalidade", relatou Ángulo.
O primeiro turno, entre os dias 12 e 13 de abril, foi conturbado, marcado por contestações e um atraso de quase um mês para a divulgação dos resultados. O ONPE só confirmou o resultado quando a apuração alcançou 99,94% das atas eleitorais revisadas, garantindo a classificação de Roberto Sánchez para o segundo turno.
Ao final da contagem de primeiro turno, Keiko Fujimori obteve 17,1% dos votos válidos, enquanto Sánchez encerrou a primeira rodada da disputa com 12,0%.
Resultados finais serão conhecidos em julho
Os resultados finais das eleições presidenciais peruanas serão conhecidos em meados de julho, pouco antes da transferência de poder, informou neste sábado o Júri Nacional de Eleições (JNE).
Grecia Rentería, porta-voz do órgão eleitoral, declarou à imprensa que a proclamação oficial dos resultados completos será adiada devido à implementação obrigatória de um novo processo de recontagem de votos nos casos de urnas contestadas ou com observações.
“A proclamação do segundo turno ocorrerá em meados de julho porque existe todo um novo procedimento, que é a recontagem dos votos”, explicou. Segundo ela, o número de atas com observações aumentou mais de 50% em relação às eleições anteriores.
O chefe interino do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Peru, Bernardo Pachas, afirmou à emissora RPP que espera que “não haja tantas atas observadas” neste segundo turno.
Segundo o dirigente eleitoral, a apuração começará às 17h, após o fechamento dos locais de votação, e os primeiros resultados oficiais deverão ser divulgados por volta das 20h de domingo, no horário local.
A porta-voz do JNE acrescentou que a composição final do Senado, da Câmara dos Deputados e da representação peruana no Parlamento Andino será conhecida em meados de junho, após a proclamação dos resultados pelos tribunais eleitorais especiais de cada região.
A eleição parlamentar foi realizada em 12 de abril, simultaneamente ao primeiro turno presidencial. Após problemas logísticos e uma longa contagem de votos, Fujimori e Sánchez avançaram para o segundo turno. Na primeira votação, foram registrados cerca de 3,4 milhões de votos brancos e nulos.
Mais de 27 milhões de eleitores convocados
Mais de 27,3 milhões de cidadãos estão convocados às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente do Peru para o período 2026-2031, após uma década marcada por forte instabilidade política, durante a qual o país chegou a ter oito presidentes.
Esta é a quarta candidatura presidencial de Keiko Fujimori, derrotada anteriormente por Ollanta Humala (2011), Pedro Pablo Kuczynski (2016) e Pedro Castillo (2021). Roberto Sánchez é psicólogo, congressista e foi ministro durante o governo de Pedro Castillo.
Segundo as autoridades eleitorais, estarão disponíveis 2.506 mesas de votação em 219 locais no exterior. As maiores concentrações de eleitores peruanos estão em Buenos Aires (115.097), Santiago do Chile (113.887), Madri (105.493) e Barcelona (79.606).
Além disso, cerca de 55 mil observadores acompanharão o processo dentro e fora do país, incluindo uma missão internacional com 587 observadores em território peruano.
O Ministério das Relações Exteriores informou que a votação do segundo turno começou entre os peruanos residentes no exterior com a abertura da seção eleitoral na Nova Zelândia.
“Já está começando a votação no primeiro escritório consular que temos, que fica em Wellington, na Nova Zelândia”, declarou neste sábado o diretor-geral das Comunidades Peruanas no Exterior e Assuntos Consulares, Pedro Bravo.
Contexto geopolítico e crise política
A eleição presidencial deste domingo no Peru tem impacto que vai além das fronteiras do país e pode influenciar a correlação de forças na América do Sul. Nos últimos anos, países como Equador, Argentina, Chile e Bolívia passaram por mudanças políticas que aproximaram seus governos dos Estados Unidos, alterando o equilíbrio regional.
Segundo analistas, uma eventual vitória de Keiko Fujimori poderá aprofundar o alinhamento do Peru com o presidente dos EUA, Donald Trump, e fortalecer os laços com governos de direita do continente. Sua candidatura é vista como parte de uma tendência regional favorável a políticas econômicas liberais e a uma maior aproximação com os Estados Unidos.
Por outro lado, uma vitória de Roberto Sánchez não significaria necessariamente uma ruptura com os EUA ou com os governos conservadores da região. Especialistas avaliam que Sánchez teria como prioridade garantir governabilidade diante de uma provável forte oposição no Congresso, o que limitaria mudanças significativas na política externa peruana e reduziria a possibilidade de um reposicionamento geopolítico mais amplo.
O pleito ocorre em meio a uma prolongada crise política no cenário interno peruano.
O último presidente peruano a concluir integralmente o mandato foi Ollanta Humala, em 2016. Desde então, o país enfrentou sucessivas crises institucionais, incluindo a prisão de ex-presidentes, o golpe sofrido por Pedro Castillo em 2022, os protestos reprimidos pelo governo de Dina Boluarte e uma série de mudanças de governo.
Após os protestos antigoverno que deixaram, segundo a Anistia Internacional, um saldo de 49 mortos, Boluarte acabou destituída, em outubro de 2025. Em seu lugar, assumiu a Presidência o então presidente do Parlamento peruano, José Jerí, cuja gestão durou apenas quatro meses. Em fevereiro do ano seguinte, Jerí também foi destituído pelo Congresso, que escolheu José María Balcázar Zelada para assumir interinamente o comando do país.



