Secretário-Geral da ONU diz que a Venezuela é soberana sobre seu petróleo
Guterres afirma que recursos naturais pertencem ao povo venezuelano e critica ação militar dos EUA como violação do direito internacional
247 - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, declarou que a Venezuela mantém “soberania permanente” sobre seus recursos naturais e que o petróleo do país pertence ao povo venezuelano. A posição foi expressa durante uma reunião com o representante permanente da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, após o ataque militar dos dos Estados Unidos contra o território venezuelano.
Segundo comunicado do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, Moncada utilizou a reunião para denunciar a “agressão armada unilateral e injustificada” promovida pelos Estados Unidos na madrugada do último sábado (3). No encontro, Guterres afirmou que a incursão militar norte-americana no país sul-americano representa “uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional”.
A declaração do chefe da ONU ocorreu após a confirmação reiterada do interesse de Washington no petróleo bruto venezuelano, tanto antes quanto depois do ataque. Três dias após a operação militar, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que “as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo licenciado de alta qualidade aos EUA”.
Trump também declarou que sua administração será responsável por controlar os recursos financeiros obtidos com a venda do petróleo venezuelano. Paralelamente, a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) informou, na quarta-feira (7), que mantém uma “negociação” em curso com os Estados Unidos para a venda de “volumes de petróleo”, ressaltando que o processo ocorre “no marco das relações comerciais que existem entre ambos países”.
Durante a reunião na ONU, António Guterres advertiu ainda que a agressão militar “estabelece um perigoso precedente para as relações internacionais” e manifestou suas “preocupações” quanto aos impactos da ação sobre a América Latina e o Caribe, região proclamada como Zona de Paz. O secretário-geral também se comprometeu a avaliar o convite do governo venezuelano para visitar o país e colocou à disposição seus “bons ofícios” com o objetivo de facilitar um diálogo nacional.



