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Roubo de petróleo: recursos com venda de combustível tomado da Venezuela serão controlados pelos EUA

Departamento de Energia diz que recursos ficarão em contas controladas por Washington; vendas começam "imediatamente" e seguirão por tempo indeterminado

Roubo de petróleo: recursos com venda de combustível tomado da Venezuela serão controlados pelos EUA (Foto: PDVSA)

247 - O governo dos Estados Unidos anunciou que os recursos obtidos com a venda do petróleo bruto e de derivados da Venezuela serão mantidos em contas bancárias sob controle estadunidense. A medida, segundo o G1, foi comunicada pelo Departamento de Energia, que afirmou contar com o apoio financeiro de grandes empresas internacionais de comercialização de commodities e de bancos globais para viabilizar as operações.

Contas sob controle dos EUA

Em um comunicado, o Departamento de Energia afirmou que os valores arrecadados serão depositados em contas controladas pelos Estados Unidos para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”. Segundo o órgão, o destino do dinheiro será definido “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.

Vendas imediatas e logística do petróleo

De acordo com o departamento, as vendas começam “imediatamente” e seguirão por tempo indeterminado. O anúncio ocorre poucos dias após uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e na morte de ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou que o governo estadunidense será responsável por controlar os recursos obtidos, garantindo que sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”. Sobre a logística, Trump afirmou: “O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”.

Estratégia dos EUA para o setor energético

O volume destinado aos Estados Unidos corresponde a cerca de dois meses da produção atual da Venezuela. Desde dezembro, o país acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los devido a um bloqueio imposto pelo governo Trump.

Nesta quarta-feira (7), os Estados Unidos apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A ação faz parte da estratégia americana para controlar o fluxo de petróleo nas Américas.

Produção venezuelana e impacto das sanções

Logo após o sequestro de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano para grandes companhias dos Estados Unidos. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.

As refinarias estadunidenses da Costa do Golfo têm capacidade para processar o petróleo pesado da Venezuela. Antes das sanções impostas por Washington, as importações alcançavam cerca de 500 mil barris por dia. Atualmente, apesar de possuir as maiores reservas do mundo, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris diários, afetada por sanções e limitações de infraestrutura.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o governo dos Estados Unidos pretende realizar ainda nesta semana uma reunião com executivos do setor petrolífero para tratar dos próximos passos relacionados ao petróleo venezuelano.

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