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Rússia protesta contra apreensão do petroleiro 'Marinera' pelos EUA

Ministério dos Transportes cita Convenção da ONU: “nenhum Estado tem direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas”

EUA e Rússia acendem disputa nuclear (Foto: Reuters)

247 - A apreensão do petroleiro Marinera por forças navais dos Estados Unidos provocou um protesto formal do governo da Rússia e abriu um novo foco de tensão diplomática entre Moscou e Washington. O Ministério dos Transportes russo informou ter perdido completamente o contato com a embarcação após a abordagem realizada por militares norte-americanos em águas internacionais.

Segundo o ministério, a ação viola normas do direito internacional marítimo. Em comunicado citado pela agência Reuters, o órgão afirmou que “de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação aplica-se em alto mar, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados”. A nota acrescenta que o contato com o navio-tanque foi interrompido logo após a intervenção das forças dos EUA.

O petroleiro apreendido era anteriormente conhecido como Bella 1 e, de acordo com relatos divulgados pela imprensa norte-americana, teria sido rebatizado como Marinera e passado a operar sob bandeira russa. O Comando Europeu dos Estados Unidos (EUCOM) anunciou oficialmente a apreensão nesta quarta-feira (7), informando que a operação ocorreu no Atlântico Norte com base em um mandado emitido por um tribunal federal dos EUA, após monitoramento da Guarda Costeira norte-americana.

A Fox News informou que a abordagem ocorreu em uma área marítima entre as Ilhas Britânicas e a Islândia. Em publicação na rede X, o EUCOM declarou que o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos conduziram a operação por supostas violações às sanções impostas por Washington.

Após a apreensão, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano segue em vigor em escala global. “O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em PLENO VIGOR — em qualquer parte do mundo”, escreveu. Em outra declaração, Hegseth foi categórico: “Os Estados Unidos continuam a aplicar o bloqueio contra todos os navios da frota clandestina que transportam ilegalmente petróleo venezuelano para financiar atividades ilícitas, roubando o povo venezuelano. Somente o comércio de energia legítimo e legal — conforme determinado pelos EUA — será permitido”.

De acordo com a Reuters, a apreensão do Marinera tende a aprofundar as tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, especialmente diante da alegação russa de que a embarcação estava devidamente registrada e operava sob as regras internacionais de navegação.

O episódio ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla dos EUA contra navios associados ao transporte de petróleo venezuelano. Também nesta quarta-feira, o Comando Sul dos Estados Unidos informou a apreensão de um petroleiro sem nacionalidade no mar do Caribe. Em comunicado divulgado na rede X, o órgão afirmou: “Em uma ação realizada antes do amanhecer desta manhã, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu sem incidentes um petroleiro motorizado da chamada frota obscura, sem nacionalidade e sob sanções”. A embarcação, identificada como M/T Sophia, está sendo escoltada para território norte-americano.

As medidas adotadas por Washington têm impacto direto sobre o setor energético venezuelano. Segundo a Reuters, as exportações de petróleo da Venezuela estão atualmente paralisadas, após o bloqueio imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os petroleiros sancionados. De acordo com a agência, capitães de portos venezuelanos não receberam pedidos de autorização para a saída de navios que já estavam carregados.

No sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma ação de grande escala contra a Venezuela, sequestrando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Donald Trump anunciou que ambos seriam julgados por suposto envolvimento com “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos.

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