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Terremotos atingem Venezuela, derrubam prédios e levam governo a decretar estado de emergência (vídeo)

Serviço Geológico estima alto risco de mortes e a Comunidade Internacional se solidariza. Veja como se forma um terremoto e as suas classificações

Área atingida por terremoto na Venezuela (Foto: Reprodução (G1))
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247 - Dois tremores de grande intensidade atingiram a Venezuela no início da noite de quarta-feira (24), levaram o país a decretar estado de emergência e provocaram desabamentos em diferentes regiões, incluindo La Guaira, Caracas, Falcón e Aragua. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortos pode ficar entre 10 mil e 100 mil. A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência em todo o país após os tremores.

Foram 39 segundos de intervalo entre os dois terremotos. O decreto de emergência busca acelerar a resposta oficial diante do colapso de estruturas, da mobilização de equipes de resgate e da necessidade de atendimento à população atingida. De acordo com o USGS, o epicentro do tremor mais forte ocorreu na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 quilômetros (km) de Caracas a uma profundidade de 13 km. Um dos casos mais graves ocorreu em La Guaira, no litoral da Venezuela. Um hotel de pelo menos oito andares desabou após os tremores. O edifício atingido é o Hotel Eduard's, localizado de frente para o mar.

Terremotos ocorrem na crosta terrestre ou no manto superior, em uma faixa que vai da superfície da Terra até cerca de 800 km de profundidade, aproximadamente 500 milhas. A força do tremor diminui à medida que aumenta a distância em relação à origem do terremoto. Por isso, o impacto sentido na superfície por um terremoto ocorrido a 500 km de profundidade é muito menor do que seria se o mesmo abalo tivesse ocorrido a 20 km de profundidade.

Um terremoto acontece quando há uma ruptura súbita em uma falha geológica. As placas tectônicas se deslocam lentamente de forma contínua, mas o atrito pode travar suas bordas. Quando a pressão acumulada vence essa resistência, a energia se libera em forma de ondas sísmicas, atravessa a crosta terrestre e provoca o tremor sentido na superfície.

Estragos

A queda do prédio de oito andares aumentou a preocupação com o número de vítimas na região costeira, uma das áreas mais afetadas pelo terremoto. Equipes de emergência atuam em locais com escombros e buscam sobreviventes em meio à destruição.

Os tremores também provocaram danos em outras partes do país. As informações disponíveis indicam colapsos de estruturas em bairros de Caracas, como La Pastora, San Bernardino e Los Palos Grandes. O rastro de destruição chegou ainda ao edifício La Mar Suites, em Tucacas, no estado de Falcón, e a um prédio em Turmero, no estado de Aragua.

Além da Venezuela, o serviço meteorológico dos EUA emitiu alertas de tsunami em outros territórios - Porto Rico, e nas Ilhas Virgens, ambos na América Central, e Aruba, Curaçao e Bonaire, na América do Sul (região do Caribe, ao Norte do continente).

O cálculo do USGS sobre estimativas de mortos integra um modelo automático do USGS, que pode mudar conforme autoridades locais divulguem novos dados sobre vítimas, feridos e danos materiais.

Vargas registra forte impacto

O estado de Vargas aparece entre as áreas mais atingidas pelos terremotos. Em Catia La Mar, cidade localizada a cerca de 30 km de Caracas, moradores registraram vídeos que mostram blocos residenciais desmoronados, escombros espalhados pelas ruas e pessoas em estado de choque.

As imagens compartilhadas pelo portal Monitoreamos mostram a dimensão da tragédia em zonas residenciais. Os registros indicam danos extensos a prédios, vias públicas bloqueadas por destroços e grande movimentação de moradores fora de suas casas.

Na região metropolitana de Caracas, o prefeito de Chacao, Gustavo Duque, informou que equipes de resgate retiraram 18 pessoas com vida após o desabamento de um edifício. O balanço oficial de mortos e feridos ainda pode mudar à medida que as buscas avancem.

Solidariedade

A presidente venezuelana enviou condolências aos familiares das vítimas e pediu calma, unidade e colaboração da população para facilitar as inspeções de risco nas residências, de acordo com informações publicadas na TeleSUR.

Os governos dos Estados Unidos, Panamá, Catar, Cuba, Nicarágua, Turquia, Jordânia, Barbados, Colômbia, Reino Unido, Brasil e México, além da Organização das Nações Unidas e de organismos financeiros multilaterais, manifestaram solidariedade e apoio imediato.

Tremor chegou ao Brasil

Os abalos também chegaram a cidades brasileiras. Moradores de Manaus e Belém relataram que sentiram os tremores, reflexo da força dos terremotos registrados em território venezuelano.

O Itamaraty informou que, até o momento, não recebeu relatos sobre vítimas brasileiras. O órgão afirmou que acompanha a situação por meio da representação diplomática brasileira na Venezuela.

"Por intermédio da Embaixada do Brasil em Caracas, o Itamaraty segue monitorando a situação", publicou o órgão nas redes sociais.

A combinação entre tremores fortes, prédios destruídos e alerta máximo do USGS mantém a Venezuela em situação crítica. As próximas atualizações das autoridades locais devem indicar a extensão real da tragédia, o número de vítimas e as áreas que mais precisam de socorro imediato.

Tipos de terremotos

Os dois abalos que atingiram a Venezuela receberam a classificação de terremotos rasos por causa da profundidade. Terremotos rasos se formam entre 0 e 70 km de profundidade. Os intermediários ocorrem entre 70 e 300 km, e os profundos se situam entre 300 e 700 km, informou o USGS.

A sequência sísmica que ocorreu na Venezuela figura entre as mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século. O último evento de magnitude semelhante ocorreu em 2018, quando um terremoto de magnitude 7,3 atingiu o estado de Sucre e produziu efeitos em pelo menos dez países da região, incluindo Brasil, Guiana e diversas ilhas do Caribe.

A profundidade dos terremotos também oferece informações importantes sobre a estrutura da Terra e sobre o ambiente tectônico em que os abalos acontecem. O exemplo mais evidente ocorre nas zonas de subducção, onde placas tectônicas colidem e uma delas mergulha sob a outra. Ao mapear com precisão a localização e a profundidade dos terremotos associados a uma zona de subducção, cientistas conseguem observar detalhes da estrutura dessa área, como o ângulo de inclinação e o formato da placa que desce para o interior da Terra. Esses dados ajudam a compreender a mecânica e as características da deformação nessas regiões.

Os terremotos mais profundos ocorrem dentro do núcleo de placas subduzidas, ou seja, placas oceânicas que descem para o manto terrestre em limites convergentes, onde uma placa oceânica densa colide com uma placa continental menos densa e afunda sob ela. O contato entre essas placas pode gerar terremotos rasos muito intensos em zonas de subducção, como o evento de magnitude 9,1 registrado em Sumatra em 2004 e o terremoto de magnitude 9,0 no Japão em 2011. Essa região de contato costuma apresentar atividade apenas em profundidades relativamente pequenas, de aproximadamente 60 km.

Como as placas oceânicas permanecem relativamente frias em comparação com o manto ao redor em ambientes mais profundos de subducção, falhas no interior dessas placas podem continuar frágeis e gerar terremotos em profundidades de até 700 km. Isso ocorre, por exemplo, com a Placa do Pacífico sob o Japão e Kamchatka, e também sob Tonga.

À medida que a placa desce para o manto, mudanças na reologia, ou seja, nas características de viscosidade, fazem a placa dobrar e se deformar, gerando esses terremotos. A distribuição desses eventos pode ser observada em cortes transversais de zonas de subducção e recebe o nome de Zonas de Wadati-Benioff.

Dentro dos continentes e ao longo de falhas transformantes em limites continentais de placas, como a Falha de San Andreas, as falhas costumam ficar ativas apenas na crosta rasa, talvez até cerca de 20 km de profundidade.

Determinar com precisão a profundidade de um terremoto costuma ser mais difícil do que identificar sua localização, a menos que exista uma estação sísmica próxima e acima do epicentro. Por isso, em geral, as margens de erro no cálculo da profundidade tendem a ser maiores do que as margens de erro na localização.

Profundidade revela estrutura da Terra

Além de indicar o potencial de danos, a profundidade dos terremotos oferece dados essenciais sobre a estrutura interna do planeta. Cientistas usam a localização e a profundidade dos abalos para entender como as placas tectônicas se movem, se chocam, afundam e se deformam.

Esse tipo de análise ganha importância especial nas zonas de subducção. Nessas regiões, duas placas tectônicas colidem, e uma delas mergulha sob a outra em direção ao manto terrestre.

Ao mapear os terremotos ligados a essas zonas, pesquisadores conseguem observar o ângulo de inclinação da placa que afunda e identificar se ela mantém uma forma mais plana ou se dobra durante o processo. Essas informações ajudam a explicar a dinâmica das forças que deformam a crosta e produzem grandes abalos.

Zonas de subducção concentram eventos extremos

Os terremotos mais profundos ocorrem dentro de placas oceânicas subduzidas. Essas placas descem para o manto a partir de limites convergentes, onde uma placa oceânica mais densa colide com uma placa continental menos densa e mergulha sob ela.

A região de contato entre as placas pode produzir grandes terremotos rasos. O USGS cita como exemplos o tremor de magnitude 9,1 registrado em Sumatra, em 2004, e o terremoto de magnitude 9,0 que atingiu o Japão, em 2011.

Essa área de contato entre placas costuma gerar atividade sísmica até cerca de 60 km de profundidade. Em pontos mais profundos, as placas oceânicas ainda podem romper porque permanecem mais frias do que o manto ao redor. Essa condição mantém falhas internas em estado frágil e permite a ocorrência de terremotos até aproximadamente 700 km.

Dobras e deformações geram abalos profundos

À medida que uma placa mergulha no manto, ela sofre mudanças físicas, dobra-se e se deforma. Esse processo ajuda a produzir terremotos em grande profundidade.

A distribuição desses eventos forma padrões conhecidos como Zonas de Wadati-Benioff. Esses alinhamentos de terremotos permitem que geólogos visualizem, em cortes transversais, o caminho da placa que desce para o interior da Terra.

O estudo dessas zonas ajuda a compreender a mecânica das regiões de subducção, onde muitos dos maiores terremotos do mundo têm origem.

Continentes concentram terremotos mais rasos

Dentro dos continentes e ao longo de falhas transformantes em limites continentais, os terremotos costumam ocorrer em profundidades menores. O USGS cita a Falha de San Andreas, nos Estados Unidos, como exemplo desse tipo de ambiente geológico.

Nessas regiões, as falhas costumam gerar abalos apenas na crosta rasa, em profundidades que podem chegar a cerca de 20 km. Esse tipo de terremoto pode causar forte impacto em áreas urbanas quando atinge regiões densamente povoadas.


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