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Trump amplia pressão máxima contra Cuba e ameaça “cuidar” da ilha após Irã

Casa Branca anuncia novas sanções contra Díaz-Canel, familiares e organizações cubanas, enquanto Havana denuncia plano intervencionista dos Estados Unidos

Donald Trump, 7 de maio de 2026 (Foto: REUTERS/Kylie Cooper)
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247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar Cuba ao afirmar que sua administração irá “se encarregar” da ilha assim que concluir sua ofensiva contra o Irã. A declaração foi feita no mesmo dia em que Washington anunciou uma nova rodada de sanções unilaterais contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, familiares de dirigentes históricos, organizações sociais e entidades da sociedade civil cubana.

As informações foram divulgadas pela teleSUR, que destacou a reação do governo de Havana às novas medidas. O chanceler cubano Bruno Rodríguez denunciou que a inclusão de Díaz-Canel, familiares, organizações da sociedade civil e empresas em uma lista “ilegítima e unilateral” representa “a última evidência do plano intervencionista” dos Estados Unidos contra Cuba.

Trump ameaça Cuba e fala em “planos muito bons” para a ilha

Em tom abertamente intervencionista, Trump afirmou que sua administração pretende tratar de Cuba depois de lidar com o Irã. “Vamos nos encarregar disso [Cuba] assim que tivermos terminado [com o Irã]. Gosto de fazer uma coisa de cada vez”, declarou o atual presidente dos Estados Unidos.

Na sequência, Trump acrescentou: “Nós nos ocuparemos da República Islâmica do Irã. E, assim que terminarmos, no caminho de volta, faremos uma breve parada [em Cuba]. Vamos nos encarregar disso. Queremos lhes dar uma mão”.

Segundo a teleSUR, as declarações ocorreram em meio à ampliação do aparato de sanções e medidas coercitivas que reforçam o bloqueio econômico imposto à ilha.

Trump também afirmou que os Estados Unidos têm “alguns planos muito bons para Cuba” e disse que “temos que nos desfazer” do governo de Havana. Ao comentar o tema, mencionou ainda um componente eleitoral, afirmando que “95% dos cubanos [nos EUA] votaram em mim”.

Sanções atingem Díaz-Canel, organizações sociais e familiares de dirigentes cubanos

A nova resolução da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, conhecida pela sigla OFAC, impõe sanções às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, aos Comitês de Defesa da Revolução, ao Instituto Cubano de Amizade com os Povos e à agência de viagens Amistur.

As medidas também atingem familiares do presidente Miguel Díaz-Canel e de Raúl Castro, ex-presidente e líder da Revolução Cubana, com a inclusão na chamada “Lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas”.

Para Havana, a ofensiva faz parte de uma escalada destinada a criar um cenário de confronto. Em maio, segundo a teleSUR, o governo dos Estados Unidos já havia formulado uma acusação judicial contra Raúl Castro, em um processo descrito pela emissora como um novo caso de judicialização política relacionado ao derrubamento, em fevereiro de 1996, de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate no espaço aéreo cubano.

Díaz-Canel denuncia “cegueira política” de Washington

Diante das novas sanções, o presidente Miguel Díaz-Canel reagiu nas redes sociais e acusou Washington de ampliar medidas desenhadas para prejudicar diretamente o povo cubano.

“Esta cegueira política se soma às medidas coercitivas aplicadas nas últimas semanas contra nosso país, desenhadas para prejudicar o povo cubano. A agressividade e a perversidade do governo ianque se chocarão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao embate imperialista”, afirmou Díaz-Canel.

O chanceler Bruno Rodríguez Parrilla também condenou as medidas. Segundo ele, a nova rodada de sanções “representa a última evidência do plano intervencionista estadunidense para apresentar Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.

Rodríguez acrescentou que “cada ação estadunidense destinada a construir um cenário de conflito entre ambos os países estará condenada ao fracasso” e encontrará “unidade e determinação ainda maiores por parte de nosso povo”.

Bloqueio afeta saúde, energia e vida cotidiana em Cuba

No mesmo dia em que foi alvo das sanções da administração Trump, Díaz-Canel participou, em Havana, da abertura de uma nova unidade de tratamento ambulatorial no Instituto Nacional de Oncologia e Radiologia. Ao comentar a iniciativa, o presidente cubano relacionou a defesa da saúde pública à resistência diante do bloqueio.

“Apesar da intensificação do bloqueio por parte dos Estados Unidos e dos enormes desafios impostos pelo cerco energético, não deteremos nossa determinação de proteger a saúde de nosso povo”, publicou.

O impacto das medidas coercitivas sobre a saúde foi relatado em abril por uma especialista do serviço de oncopediatria do mesmo instituto. Segundo ela, a falta de insumos e os obstáculos provocados pelo bloqueio têm afetado o tratamento de crianças com câncer.

A médica afirmou que a “queda da sobrevivência de nossas crianças com câncer corresponde, com exatidão assombrosa, aos anos mais duros para Cuba, com as medidas de asfixia que vêm sendo incrementadas”.

Sobre a crise energética, acrescentou: “sem eletricidade nem transporte não é possível prestar assistência médica. Em nome de nada se pode afetar a vida de uma criança. Os médicos não fazem milagres. É necessária infraestrutura, recursos, medicamentos e combustível”.

ONU alerta para efeitos do bloqueio sobre hospitais e pacientes

Também em abril, Francisco Piñón, coordenador residente das Nações Unidas em Cuba, alertou para o agravamento das consequências da crise energética no país. Segundo ele, depois de vários meses de profunda crise, os impactos já não são abstratos e aparecem no ritmo da vida cotidiana.

Piñón afirmou que o custo mais grave do bloqueio dos Estados Unidos “não se mede em incômodos, mas em saúde”. Ele se referiu aos efeitos sobre hospitais, serviços críticos de diálise, tratamento oncológico, atenção neonatal, incubadoras e milhares de pacientes em listas de espera por cirurgias.

De acordo com o funcionário da ONU, médicos e enfermeiros tentam manter o sistema de saúde funcionando em condições extremamente difíceis, enquanto pacientes aguardam com incerteza uma data para retomar tratamentos, “como se a doença pudesse ser suspensa”.

Bloqueio petrolífero aprofunda crise energética

A situação cubana se agravou após o bloqueio petrolífero decretado por Trump em janeiro, com base em uma declaração que classificava Cuba como “ameaça incomum e extraordinária”. A medida dificulta a chegada de combustível à ilha e afeta diretamente a geração elétrica, a atividade econômica e setores como saúde, educação, transporte, distribuição de alimentos, abastecimento de água e gestão humanitária da ONU.

Segundo o relato da teleSUR, apenas um navio petroleiro, o Anatoly Kolodkin, proveniente da Rússia, levou petróleo a Cuba em 2026. À medida se somaram novas sanções anunciadas em maio, com forte caráter extraterritorial, pressionando empresas e governos de terceiros países a aderirem, direta ou indiretamente, ao cerco econômico.

A teleSUR aponta que companhias internacionais como Sherritt, Iberia, Meliá, Iberostar e Blue Diamond fecharam total ou parcialmente operações na ilha em consequência do aumento da pressão norte-americana.

Havana vê ofensiva para fabricar cenário de conflito

Para o governo cubano, a estratégia da administração Trump combina ameaças políticas, sanções econômicas, pressão diplomática e medidas extraterritoriais para apresentar Cuba como uma suposta ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

A denúncia de Havana é de que Washington busca construir artificialmente um ambiente de conflito, ao mesmo tempo em que aprofunda o impacto humanitário do bloqueio sobre a população cubana. As declarações de Trump sobre “cuidar” de Cuba depois do Irã foram interpretadas por autoridades cubanas como mais um sinal de agressividade e de interferência direta contra a soberania da ilha.

Ao reagir às medidas, Díaz-Canel e Bruno Rodríguez reafirmaram que Cuba enfrentará a nova ofensiva com resistência política e unidade interna, mantendo a denúncia de que as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos são ilegais, ilegítimas e voltadas a prejudicar diretamente o povo cubano.

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