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‘Nunca na história os EUA excluíram o Brasil da lista de países amigos como fez Rubio’, diz Celso Amorim

Assessor de Lula afirma que nem durante articulações contra João Goulart Washington formalizou posição semelhante ao Brasil

Celso Amorim (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
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247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e ex-chanceler Celso Amorim classificou como inédita e preocupante a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que excluiu o Brasil de uma lista de países considerados aliados de Washington. A avaliação foi feita em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Segundo Amorim, a fala de Rubio representa um episódio sem precedentes nos mais de dois séculos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Os dois países mantêm relações oficiais há 202 anos.

“A declaração de Rubio é inédita. Nem quando o Dean Rusk [secretário de Estado dos EUA entre 1961 e 1969] e o Lincoln Gordon [embaixador do Brasil entre 1961 e 1966] estavam conspirando [para derrubar o presidente João Goulart], um secretário de Estado excluiu o Brasil da lista de países amigos”, afirmou Amorim.

O ex-ministro das Relações Exteriores também demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos diplomáticos da manifestação do governo norte-americano.

“É uma declaração impressionante e preocupante. Precisamos ver o que ocorrerá a partir disso, mas nem quando havia conspiração essa situação foi formalizada”, acrescentou.

A declaração de Marco Rubio ocorreu durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos. Ao abordar o cenário político da América Latina, o secretário de Estado — integrante do governo do presidente Donald Trump — afirmou que a região é composta majoritariamente por governos alinhados aos interesses norte-americanos, mas fez ressalvas a alguns países, incluindo o Brasil.

“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA, de líderes amistosos aos EUA e de uma direção favorável aos interesses americanos”, declarou Rubio.

A fala ocorre em um momento de crescente tensão nas relações entre Brasília e Washington. Um dia antes da declaração, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo mercado norte-americano.

Além disso, poucos dias antes, Rubio havia anunciado a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

As pressões comerciais também se intensificaram nesta quarta-feira (3), quando o governo norte-americano propôs uma nova tarifa de 12,5% contra produtos brasileiros após incluir o país em uma investigação relacionada ao suposto uso de trabalho forçado.

O conjunto de medidas e declarações amplia o desgaste diplomático entre os dois países e gera preocupação em setores do governo brasileiro, especialmente diante da relevância das relações econômicas e políticas entre Brasília e Washington.

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