HOME > América Latina

Trump avalia pressionar Cuba com possível interrupção de petróleo do México

Secretário de Energia dos EUA afirma que Casa Branca teria meios para barrar fornecimento e China reage pedindo fim de ameaças e sanções contra Havana

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA - 5 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Leah Millis)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode usar sua influência para provocar uma interrupção no fornecimento de petróleo do México a Cuba como forma de aumentar a pressão sobre o governo cubano. A declaração foi feita pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista recente à emissora Fox News. As informações são da Sputnik Brasil.

Segundo Wright, o chefe da Casa Branca teria instrumentos políticos e diplomáticos suficientes para atuar nesse sentido, caso decida avançar com a medida. Para o secretário, a eventual suspensão do envio de petróleo mexicano à ilha caribenha não enfrentaria grandes obstáculos operacionais ou diplomáticos.“É claro que o presidente pode usar essa alavancagem”, afirmou Wright ao comentar a capacidade de Trump de influenciar o fluxo de petróleo do México para Cuba. O secretário acrescentou ainda que, se o presidente optar por esse caminho, “seria fácil de realizar isso”, sinalizando que Washington considera a medida viável.

As declarações se inserem em um contexto de endurecimento do discurso do governo norte-americano em relação a Cuba. Na semana passada, Trump afirmou publicamente que os Estados Unidos já teriam esgotado quase todas as alternativas de pressão sobre Havana, restando apenas opções extremas, como invasão ou bombardeios. O presidente também declarou que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança prestados ao governo de Caracas.

A retórica adotada por Washington provocou reação internacional. Na segunda-feira (12), a China criticou duramente a postura dos Estados Unidos e pediu o fim imediato das ameaças e sanções contra o governo cubano. A posição foi expressa pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning.De acordo com Pequim, medidas unilaterais e pressões externas tendem a agravar a situação humanitária e política em Cuba, além de aumentar as tensões regionais. O governo chinês defende que os Estados Unidos retomem o diálogo e respeitem a soberania do país caribenho.

O possível bloqueio ao fornecimento de petróleo mexicano se soma, portanto, a um cenário de crescente isolamento energético de Cuba, que já enfrenta dificuldades econômicas severas e depende de importações para sustentar seu sistema elétrico e sua economia. Caso a ameaça se concretize, analistas avaliam que o impacto pode ser significativo tanto para a população cubana quanto para as relações diplomáticas dos Estados Unidos com países da América Latina.

Artigos Relacionados