Uruguai condena ataque dos EUA à Venezuela e pede ação da ONU e da OEA
Chancelaria alerta para risco à paz regional e reforça princípio de não intervenção entre Estados soberanos
247 - O governo do Uruguai manifestou neste sábado (3) séria preocupação com os acontecimentos recentes na Venezuela e rejeitou de forma categórica a ofensiva militar dos Estados Unidos contra o país sul-americano. Em nota oficial, Montevidéu alertou para os riscos à estabilidade regional e reafirmou o compromisso histórico da América Latina e do Caribe como uma zona de paz.
A posição foi divulgada pela chancelaria uruguaia, que informou estar acompanhando atentamente os relatos das últimas horas vindos da Venezuela, incluindo ataques aéreos dos Estados Unidos contra instalações militares e infraestrutura civil. No comunicado, o governo uruguaio reiterou sua oposição à intervenção militar de um país no território de outro e defendeu o respeito estrito ao direito internacional.
“O governo da República Oriental do Uruguai está acompanhando com atenção e séria preocupação os acontecimentos que vêm sendo reportados desde as últimas horas na Venezuela, que incluem ataques aéreos dos Estados Unidos contra instalações militares e infraestrutura civil venezuelana”, afirmou a chancelaria. O texto reforça que o país “rejeita, como sempre fez, a intervenção militar de um Estado no território de outro”.
Na nota, o Uruguai destaca a centralidade da Carta das Nações Unidas como fundamento da convivência internacional. “Reafirmamos a importância de respeitar o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, em particular o princípio básico de que os Estados devem se abster da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, diz o comunicado.
O governo uruguaio também voltou a enfatizar um dos consensos históricos da região. “Reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz e livre de armas nucleares, como tem sido a posição de consenso da nossa região”, destacou a chancelaria, ao alertar para os impactos mais amplos da escalada militar.
Além da dimensão diplomática, o Uruguai informou estar atento à situação de seus cidadãos no país afetado. Segundo a nota, o Ministério das Relações Exteriores mantém contato permanente com o consulado uruguaio em Caracas e acompanha a situação da comunidade de compatriotas, bem como do pessoal consular e administrativo, que se encontra em bom estado de saúde.
Por fim, o governo uruguaio fez um apelo às instâncias multilaterais. “Chamamos as autoridades das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos a fazer uso de seus bons ofícios a fim de buscar uma solução positiva diante desta difícil situação”, conclui o comunicado, ao defender uma saída diplomática que preserve a paz e a segurança na região.



