Venezuela condena proposta de privatização do setor petrolífero
Ministério dos Hidrocarbonetos afirma que indústria é patrimônio inalienável do povo venezuelano
247 - O Ministério dos Hidrocarbonetos da Venezuela manifestou nesta quarta-feira (25), forte rejeição a propostas de privatização da indústria petrolífera do país, classificando a ideia como contrária aos interesses nacionais e à Constituição. Em comunicado oficial, a instituição afirmou que o setor energético, que engloba petróleo, gás e petroquímica, constitui um patrimônio inalienável do povo venezuelano, informa a Prensa Latina.
O órgão estatal reagiu às declarações atribuídas a um setor da oposição, presumivelmente ligado à líder María Corina Machado. Segundo o ministério, as declarações são “lamentáveis” e representam uma tentativa indevida de dispor de recursos estratégicos do país.
De acordo com o comunicado, o posicionamento crítico se dirige a atores que, segundo o texto, “não satisfeitos em terem solicitado sanções, agressões e intervenções contra a República durante anos, agora pretendem oferecer, como se fosse sua propriedade, uma indústria que é patrimônio inalienável de todo o povo venezuelano”. A nota ressalta ainda que tais iniciativas não possuem legitimidade política ou institucional.
O ministério também atribuiu à figura mencionada a liderança de uma ala considerada “violenta e extremista” da política nacional, responsabilizando-a por ações que teriam causado prejuízos sociais a famílias venezuelanas. Além disso, o documento afirma que a proposta de privatização revela um “caráter antinacional”, ao confrontar diretamente o artigo 12 da Constituição, que estabelece a propriedade exclusiva, inalienável e imprescritível do Estado sobre os hidrocarbonetos.
Em tom enfático, o comunicado destacou: “A importância do petróleo para a Venezuela jamais poderá ser diminuída por aqueles que não têm e nunca terão autoridade real ou moral para falar sobre nossa indústria”. A declaração reforça a centralidade do setor energético na economia nacional.
Dados do Banco Central da Venezuela foram citados para sustentar a relevância econômica do petróleo, indicando que 74% das exportações do país na última década tiveram origem nesse segmento. O Ministério dos Hidrocarbonetos acrescentou que o setor registrou crescimento em 17 dos últimos 19 trimestres e projeta expansão de 15,2% em 2025, impulsionando a economia venezuelana.
A controvérsia ocorre em meio a um cenário de mudanças na política energética do país. No início do ano, a Venezuela aprovou reformas que ampliam a participação privada no setor petrolífero, permitindo novos modelos de investimento e contratos, embora a propriedade dos recursos continue sob controle estatal . Nesse contexto, o debate sobre o papel do Estado e da iniciativa privada na indústria segue no centro das disputas políticas e econômicas nacionais.


