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Venezuela e Colômbia avançam em integração energética, comercial e de segurança

Em Caracas, Delcy Rodríguez e Gustavo Petro anunciam projetos de interconexão elétrica, exportação de gás, turismo binacional e combate ao crime

Gustavo Petro e Delxy Rodriguez (Foto: Divulgação / Telesur)

247 – Os governos da Venezuela e da Colômbia deram novos passos para aprofundar a integração binacional, com acordos nas áreas de energia, comércio, segurança, turismo e atenção social às populações fronteiriças. As medidas foram anunciadas após reunião entre a presidenta em exercício venezuelana, Delcy Rodríguez, e o presidente colombiano, Gustavo Petro, no Palácio de Miraflores, em Caracas.

Segundo a teleSUR, o encontro ocorreu no âmbito do Encontro Presidencial Colômbia–Venezuela e marcou a primeira visita oficial de um chefe de Estado a Caracas após o sequestro do presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro.

Delcy Rodríguez afirmou que a chegada de Petro ao governo colombiano, em 2022, representou um marco para a reabertura da fronteira entre os dois países, depois de sete anos de ruptura diplomática provocada por “decisões irracionais” do governo anterior da Colômbia.

Mesmo sob bloqueio econômico imposto contra a Venezuela, o intercâmbio comercial bilateral chegou a US$ 1,5 bilhão em 2025. Rodríguez destacou que os dois países avançam agora em uma estratégia de substituição de importações, com aproveitamento da produção existente nos dois lados da fronteira.

“Pensar como um só povo, um só país que se reconecta para o desenvolvimento compartilhado”, afirmou Rodríguez. “Não faz sentido que Colômbia ou Venezuela olhem para outras latitudes aquilo que podemos conseguir em nossos territórios”, acrescentou.

A agenda binacional definiu como prioridade a integração energética e alimentar. Entre os projetos discutidos estão a interconexão elétrica para o ocidente venezuelano, região afetada pela desinversão decorrente das medidas coercitivas unilaterais, além da exportação de gás venezuelano para a Colômbia e iniciativas conjuntas de fornecimento a terceiros países.

Na área de segurança, Rodríguez afirmou que a reunião tratou de forma “muito séria” o combate a bandas criminosas e grupos de delito transnacional que atuam na fronteira.

“Acertamos a elaboração de planos militares e o estabelecimento imediato de mecanismos para compartilhar informações e desenvolver inteligência, que devem entrar em vigor imediatamente”, declarou Rodríguez.

Os dois governos também acertaram planos socioeconômicos para atender populações vulneráveis afetadas pela criminalidade fronteiriça, além de iniciativas para fortalecer o turismo, criar projetos multidestino e reativar a conexão aérea entre Venezuela e Colômbia.

Petro, por sua vez, defendeu uma integração econômica, social e política mais profunda entre os dois países. “Mais do que vizinhos, somos a mesma história, a mesma cultura, irmãos”, afirmou o presidente colombiano.

Ele também reivindicou o projeto bolivariano da Pátria Grande como referência para uma confederação latino-americana no século XXI, capaz de tornar a região mais forte no cenário internacional, respeitando as autonomias nacionais.

Na área energética, Petro defendeu a transição para novas formas de energia associadas à paz e à democracia global, em oposição a modelos tradicionais ligados a conflitos e autoritarismos.

Sobre segurança, o presidente colombiano propôs uma ação coordenada para libertar as populações fronteiriças das máfias que exploram economias ilegais, como tráfico de cocaína, ouro ilícito, tráfico de pessoas e extração de minerais raros. Segundo ele, o objetivo é que “a fronteira seja apenas para o povo colombiano e venezuelano”.

A reunião foi precedida pela III Reunião da Comissão Binacional de Boa Vizinhança, que instalou 11 mesas técnicas de trabalho em áreas como soberania energética, saúde, defesa e meio ambiente.

Os chanceleres Yván Gil e Yolanda Villavicencio assinaram a ata final da comissão, com o objetivo de acelerar mecanismos de cooperação integral nas populações fronteiriças.

Com a retomada da agenda bilateral, Caracas e Bogotá buscam consolidar uma nova etapa nas relações entre Venezuela e Colômbia, marcada pela reabertura da fronteira, pelo crescimento do comércio e por projetos estratégicos de integração energética, segurança e desenvolvimento social.

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