01, 02, 03, 04… 1964
Polarização entre democracia e impunidade marca o horizonte de 2026 sob a sombra dos erros não punidos da história
Nessa semana, pesquisas eleitorais presidenciais demonstraram que a corrida à cadeira mais importante da República, em 2026, tende a se polarizar. De um lado, o presidente Lula, com seu projeto de defesa da soberania nacional, de distribuição social da riqueza e sua proposta civilizatória; do outro, o filho que não tem nome, o 01, e sua promessa de, eleito, anistiar, indultar, enfim, isentar de punição os bandidos que atentaram contra a democracia do país, em 8 de janeiro de 2023, especialmente seu pai, o ex-presidente que hoje goza do benefício extraordinário de uma prisão domiciliar humanitária, que a ninguém mais no país seria concedida, exceto a ele, que, mesmo após condenado, crê estar sendo injustiçado por ser punido como qualquer outro que cometesse os mesmos crimes.
É a recordação do que aconteceu no final da ditadura de 1964, quando os abutres que praticaram crimes contra o Estado Democrático de Direito, a dignidade da pessoa humana, o orçamento público e as liberdades civis e políticas em geral foram beneficiados pela Lei de Anistia de 1979, jamais pagando pelas atrocidades cometidas, comprovando o ditado: "crime não punido é crime repetido".
Eis o cenário de 2026: a continuidade da reconstrução nacional ou o retorno à barbárie. Será que a história nada ensinou ao país? A não punição da ditadura de 1964 resultou na tentativa de golpe em 2023, e a impunidade em 2023 resultará na mesma agonia no futuro.
Oito anos atrás, um candidato que se dizia mito, sem nenhuma plataforma de governo, se elegeu, e deu no que deu: mais de 700 mil mortes na pandemia e uma tentativa de golpe de Estado. Agora, é um número qualquer que se apresenta como candidato, sem nenhuma proposta, exceto aplicar impunidade.
Que este 31 de março, dia que rememora a passagem do golpe de 1964, sirva para refletir sobre que Brasil se quer consolidar. Desafios internos à parte, o mundo está à beira do abismo. Nem os mais otimistas especialistas em geopolítica escondem a possibilidade real de uma nova grande guerra. Que papel o próximo presidente brasileiro terá nos anos vindouros: um estadista com habilidade para interceder no apaziguamento dos ânimos ou um zero-algo imprestável, que só servirá para soltar o seu bandido de estimação e, a exemplo deste, prestar continência à bandeira do megalomaníaco que quer mandar no mundo, entregando, doravante, o espaço nacional para suas instalações militares, como o que já acordou Santiago Peña, no Paraguai, e pretende fazer Milei, na Argentina? Não. Entreguismo nunca mais. Vassalagem nunca mais. Ditadura nunca mais.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



