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Valdemar vende Flávio como moderado e diz que clã Bolsonaro 'terá que resolver seus problemas'

Presidente do PL diz que Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas e afirma que família Bolsonaro precisa resolver impasses para disputar eleição acirrada

Valdemar Costa Neto (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

247 - O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio Bolsonaro surge como um nome competitivo para a disputa presidencial e destacou a necessidade de resolução de conflitos internos na família Bolsonaro para viabilizar o projeto político. Segundo ele, o cenário eleitoral aponta equilíbrio e dependerá de ajustes estratégicos, inclusive dentro do próprio grupo político.

As declarações foram feitas nesta segunda-feira (30), durante almoço empresarial promovido pelo grupo LIDE. No evento, Valdemar apresentou projeções eleitorais e avaliou o desempenho do partido e de possíveis candidaturas, além de comentar a conjuntura política nacional.

Valdemar destacou o crescimento do PL em todo o país, atribuindo o avanço ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao cenário que classificou como adverso. "Nessa semana vamos terminar o prazo de mudanças partidárias. Deveremos fechar com mais de 100 deputados federais. Vamos bater o recorde aqui em São Paulo também. Devemos fechar com 28 deputados estaduais. Isso continua e está acontecendo em todo o país", afirmou. Segundo ele, "pelo que o presidente Bolsonaro implantou no nosso partido, com seu trabalho, e por essa perseguição que ele sofre também. Isso faz com que o partido cresça cada vez mais".

O dirigente também mencionou dados de uma pesquisa recente, indicando equilíbrio entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Recebi uma pesquisa nacional hoje. O Flávio está empatado com o Lula. O Flávio com 1% na frente. O Lula com 48% de rejeição. Estamos avaliando isso e estamos vendo que o governo colabora muito com o nosso crescimento, por tudo que tem acontecido no país", disse.

Ao comentar o desempenho do senador, Valdemar buscou diferenciá-lo do perfil do pai. "O Flávio Bolsonaro tem surpreendido a todos nós, porque tem mantido esse empate com o Lula. Estar 1% à frente não é estar à frente, é empate. E ele tem mantido essa diferença", avaliou. Ele também afirmou que partidos com espaço no governo têm sinalizado apoio à possível candidatura de Flávio. "Vários partidos, que têm espaço no governo, inclusive, não querem vir com o governo, não querem apoiar o governo e querem apoiar o Flávio. Vamos fazer a maior coligação, tenho certeza disso".

Valdemar ainda fez referência à eleição anterior ao comentar decisões estratégicas do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Será uma eleição como a passada, do Bolsonaro. Ele estava com a eleição ganha, mas tinha um grande problema com as mulheres, por causa da pandemia", afirmou. Ele acrescentou que houve divergência sobre a escolha do vice: "O Bolsonaro insistia em manter o Braga Netto [...] de vice, o que não trazia um voto para ele. Nós insistimos com ele [...] que tinha que ter a Tereza Cristina".

Nesse contexto, o presidente do PL defendeu que a escolha de uma mulher para a vice pode fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro. "A Tereza é o máximo. Torço, agora, para o Flávio escolher uma mulher de vice. As mulheres estão se interessando mais pela política, graças ao trabalho da Michelle Bolsonaro, do que ela fez no PL Mulher", afirmou.

Ao traçar o perfil do senador, Valdemar destacou diferenças em relação ao ex-presidente. "Estamos preparados para tudo. O Flávio tem um comportamento diferente do Bolsonaro. É um camarada que escuta mais, ouve mais, é mais preparado, é mais político. Tem tudo para dar certo", disse. Ele também afirmou que o foco da campanha deve ser propositivo: "O Flávio vai ter que mostrar o que vai fazer. Não deve ficar atacando o Lula. Não deve perder tempo com isso".

Por fim, o dirigente reconheceu desafios internos no grupo político. "Eles têm problema na família, lógico, mas vamos ter que resolver todos. Essa eleição vai ser decidida por muito pouca diferença. Se não resolvermos esses problemas dentro da família, o Eduardo Bolsonaro não volta mais para o Brasil. Temos que ganhar as eleições", declarou.

Valdemar também projetou força do PL no Congresso Nacional, especialmente no Senado. "Nós vamos fazer a maior bancada de senadores. Devemos fazer uns 25 senadores pelo PL e devem se eleger mais 20 pela direita em outros partidos. Vamos fazer maioria no Senado. Mas mesmo fazendo maioria, se não fizermos a Presidência da República, não conseguimos fazer o presidente do Senado", concluiu.

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