"Flávio Bolsonaro está disposto a negociar o futuro do Brasil por apoio político", critica Rui Falcão
Declaração de Flávio Bolsonaro sobre terras-raras nos EUA gera reação de Rui Falcão e amplia debate sobre soberania e recursos estratégicos do Brasil
247 - A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre terras-raras nos Estados Unidos gerou reação do deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e ampliou o debate sobre soberania e recursos estratégicos do Brasil. O deputado criticou duramente a postura do senador, apontando riscos à autonomia nacional e à gestão de riquezas minerais consideradas estratégicas.
A manifestação foi publicada pelo próprio Rui Falcão nas redes sociais nesta segunda-feira (30). Segundo ele, “é muito grave que um pré-candidato à Presidência da República vá aos EUA e se comprometa a entregar as terras raras do Brasil”. O parlamentar afirmou ainda que “Flávio Bolsonaro está disposto a negociar a soberania, as nossas riquezas estratégicas e o futuro do país por apoio político”.
As críticas surgem após declarações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas. No evento, o senador afirmou: “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”.
Rui Falcão também acusou o senador de subordinar interesses nacionais a interesses externos. “Sem nenhum pudor ou constrangimento, coloca o Brasil à disposição dos interesses geopolíticos dos EUA”, escreveu. Na mesma publicação, o deputado acrescentou que “o falso patriotismo da direita brasileira precisa ser desmascarado a cada dia”.
A fala de Flávio Bolsonaro provocou reação entre políticos de esquerda e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ampliando o debate sobre soberania nacional e exploração de recursos estratégicos. O senador, que é pré-candidato à Presidência da República em 2026, tem intensificado sua agenda internacional como parte de sua estratégia política.
O tema ganha relevância diante da crescente importância geopolítica dos chamados minerais críticos. As terras-raras são essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Atualmente, a China concentra grande parte da cadeia global de produção e processamento desses materiais.
O Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário. O país possui cerca de 23% das reservas globais de terras-raras, ficando atrás apenas da China, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil. Além disso, destaca-se pela qualidade de seus depósitos, especialmente os de argila iônica, considerados fundamentais para a exploração eficiente desses recursos.
Outros minerais reforçam o peso do Brasil no setor. O país detém aproximadamente 8% das reservas globais de lítio, essencial para baterias de veículos elétricos, e concentra mais de 90% das reservas mundiais de nióbio, amplamente utilizado na indústria aeroespacial e em ligas metálicas de alta resistência.


