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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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A escolha nunca foi tão fácil: de um lado o estadista Lula; de outro, a gangue Bolsonaro

O presidente Lula caminha para uma vitória em primeiro turno, enquanto o destino do clã Bolsonaro para ser a cadeia

16.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva com Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e Presidente do Conselho Europeu, António Costa na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains - França. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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O Brasil amanhece nesta quarta-feira, 17 de junho, diante de um contraste político que já não poderia ser mais evidente. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se consolida como a liderança nacional capaz de recolocar o país no centro das grandes decisões internacionais, tratado por chefes de Estado como o estadista que é. De outro, o bolsonarismo tenta sobreviver por meio de uma candidatura familiar, defensiva e judicializada, cujo objetivo central parece ser menos apresentar um projeto de país do que proteger seus próprios integrantes.

A nova pesquisa CNT/MDA confirma essa percepção. Lula abriu quase 13 pontos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno e se aproximou de uma vitória na primeira volta. Os números mostram que o eleitorado começa a compreender a natureza da escolha que terá pela frente: não se trata apenas de uma eleição entre dois nomes, mas de uma decisão entre dois caminhos históricos.

Lula representa a reconstrução institucional, a volta do Brasil ao mundo, a defesa da soberania nacional e a recuperação de um horizonte civilizatório. Flávio Bolsonaro, ao contrário, aparece como herdeiro de um projeto político marcado pela tentativa de golpe de Estado, pela hostilidade às instituições e pela instrumentalização da política como escudo familiar.

A candidatura de Flávio Bolsonaro nunca nasceu como proposta nacional. Primeiro, servia ao esforço de tentar tirar Jair Bolsonaro da cadeia política e jurídica em que ele próprio se colocou ao liderar uma aventura autoritária contra a democracia brasileira. Agora, serve também para tentar proteger Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, depois de atuar para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

É este o ponto essencial: enquanto Lula se apresenta ao mundo como líder de um país soberano, capaz de falar sobre desigualdade, desenvolvimento, paz, fome, transição energética e inteligência artificial, o clã Bolsonaro se dedica a atacar instituições, pressionar tribunais e transformar a política brasileira numa extensão dos problemas judiciais da família.

Nunca foi tão fácil escolher. Lula esteve na Cúpula do G7, em Évian, na França, e falou como presidente de um país que pensa grande. Cobrou dos mais ricos solidariedade internacional, denunciou o crescimento das desigualdades, criticou a lógica neoliberal que desmonta Estados e aprofunda crises democráticas, e defendeu mecanismos concretos para que países em desenvolvimento possam financiar políticas sociais e ambientais.

Essa é a diferença entre estadismo e aventureirismo. Estadista é quem olha para o mundo e enxerga o lugar do Brasil numa ordem internacional em transformação. Aventureiro é quem olha para o Estado e enxerga apenas uma trincheira para proteger parentes, aliados e interesses privados.

Lula fala ao Sul Global. Fala aos trabalhadores. Fala aos pobres. Fala aos países que querem desenvolvimento com soberania. Fala ao mundo multipolar que emerge das ruínas de uma ordem internacional injusta. O bolsonarismo, por sua vez, fala aos ressentidos, aos submissos, aos que confundem patriotismo com vassalagem e aos que aceitam entregar o país desde que a família Bolsonaro seja preservada.

É por isso que a escolha se tornou tão simples. Quem defende o Brasil, sua soberania, sua democracia e sua reconstrução social reconhece em Lula a liderança capaz de conduzir esse processo. Quem aceita a captura da política por uma família que transformou o poder em instrumento de autoproteção seguirá agarrado ao bolsonarismo, ainda que esse número seja cada vez menor.

Os candidatos alternativos da direita tampouco conseguem se apresentar como solução real. Falta-lhes densidade histórica, projeto nacional, capacidade de comunicação com o povo e coragem para romper com a herança tóxica do bolsonarismo. Uns tentam parecer moderados, mas carregam o peso das mesmas alianças. Outros tentam se vender como novidade, mas não conseguem sair da irrelevância. No fundo, todos orbitam em torno do mesmo problema: nenhum deles é capaz de fazer frente a Lula.

O Brasil já viveu anos demais sob chantagem, ódio, violência política, negacionismo e sabotagem institucional. A sociedade brasileira sabe o preço que pagou quando entregou o país a quem desprezava a democracia, a ciência, a cultura, os trabalhadores e a soberania nacional. Sabe também que a reconstrução não é uma abstração: ela se vê na volta do Brasil à cena internacional, na recuperação de políticas públicas, no combate à fome, na defesa do emprego, na valorização do Estado e na retomada da esperança.

Quando essa página for definitivamente virada, o Brasil poderá voltar a sonhar com normalidade. Poderá voltar a discutir desenvolvimento, educação, saúde, ciência, cultura, esporte, integração regional e futuro. Poderá até voltar a viver uma Copa do Mundo com alegria, sem que tudo esteja contaminado pela degradação política imposta pela extrema direita.

E que bom para o futebol mundial ver Lionel Messi, aos 39 anos, dar mais um espetáculo, marcar três gols e igualar Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas. Há algo de simbólico nisso: enquanto o mundo celebra talento, beleza e grandeza, o Brasil precisa se livrar de uma política pequena, mesquinha e familiarizada com o ressentimento.

A Copa está apenas começando. O Brasil, por enquanto, ainda parece um ponto fora da curva. Mas isso também vai mudar. O país tem força, memória e capacidade de reencontrar seu caminho.

Lula será reeleito porque representa algo maior do que uma candidatura. Representa a possibilidade de o Brasil voltar a ser Brasil: soberano, democrático, respeitado e capaz de olhar para o futuro. A família Bolsonaro será lembrada como um desvio autoritário, uma experiência traumática que o povo brasileiro saberá superar.

A escolha nunca foi tão fácil. De um lado, Lula, o estadista. De outro, a gangue Bolsonaro. De um lado, o Brasil que quer viver. De outro, uma família que tenta sobreviver politicamente aos próprios crimes e fracassos. Para quem ama o Brasil, não há dúvida possível.

 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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