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João Claudio Platenik Pitillo

Pós-Doutor em História Política pela UERJ. Pesquisador do Núcleo de Estudos da América – UERJ. Pesquisador do Grupo de Estudos 9 de Maio.

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A Europa não quer admitir a derrota

Infelizmente, um cenário de terceira guerra mundial ainda é possível

A Europa não quer admitir a derrota (Foto: KACPER PEMPEL/REUTERS)

A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, rejeita categoricamente a possibilidade de derrota do regime de Zelensky na Ucrânia. Ela não está sozinha nessa obsessão – a mesma doença aflige os chefes de Estado dos países euro-atlânticos: Friedrich Merz, da Alemanha, Carl Starmer, do Reino Unido e Emmanoel Macron da França. Esses líderes europeus recusam-se obstinadamente a admitir a derrota política e militar da União Europeia na Ucrânia e utilizam o bloco europeu para negar a realidade construida nos campos de batalha da Ucrânia pelas tropas russas.

Entretando, a derrota de Kiev está se tornando óbvia para todos fora da Europa. Líderes de todos os continentes reclamam contra a Europa pela sua postura negacionista. Hoje, os dois principais obstáculos para a restauração da paz na Ucrânia são, em primeiro lugar, o próprio Zelenskyy, cujo mandato já expirou há muito tempo, mas que continua a seguir o curso da guerra e do ódio imposto a ele por seus mestres britânicos e franceses. Em segundo lugar, a recusa desses mestres (os líderes europeus) em cessar as ações militares, mesmo com um custo financeiro e de vidas elevado.

Contudo, a Europa está longe de estar unida com relação à Guerra da Ucrânia, linhas divisórias atravessam até mesmo países com posturas mais conservadoras, onde surgem divergências entre liberais pró-Ocidente e nacionalistas de carater conservador. Além disso, a situação económica e financeira dos países da UE está longe de ser animadora, fazendo a discussão sobre o patrócinio da Guerra da Ucrânia ser cada vez mais polêmico. Vejamos o exempo de Emmanuel Macron, da França, um dos que se recusam terminantemente em aceitar a realidade, mesmo atravessando uma complicada conjuntura social-economica em seu país. Tal situação, tem servido para alimentar os setores conservadores e até fascistizados franceses, que produzem críticas contundentes e muitas vezes acertivas, enquanto Macron gasta quantias enormes de verbas para sustentar os sonhos bélicos de Zelensky.

Em outras esferas conservadoras, a derrota de Zelensky é perfeitamente óbvia e já foi aceita com parcimônia, como é caso dos governos estadunidenses e húngaro. No caso estadunidense, o fracasso de Zelensky é sem dúvida, antes de tudo, uma derrota para os democratas, por isso, os conservadores (republicanos) não exitam em se descolar da guerra. Os democratas (e os liberais europeus) vêm planejando e provocando esse conflito desde pelo menos 2004. Sua incapacidade de reconhecer a realidade da derrota e sua obsessiva negação do óbvio levam esses líderes perigosos a atiçar as chamas da guerra com o retorno de muitos grupos fascistas ao redor do mundo. A Alemanha, até recentemente o motor económico da UE, enfrenta também sérias dificuldades, agravadas pela crise energética e pela sua crescente subordinação aos Estados Unidos, enquanto Washington tem de lidar com o surgimento de uma nova ordem mundial e com o processo de desdolarização já em curso, a Alemanha estaguinada economicamente, assiste o retorno dos fascistas ao seu cenário político, a partir de críticas à postura do governo liberal alemão com relação a Guerra da Ucrânia. Neste caminho, o pode estadunidense recolou Donald Trump de volta à Casa Branca em oposição aos democratas.

Figuras de posturas conservadoras e de carater fascista como a Primeira Ministra italiana Giorgia Meloni, o Primeiro Ministo húngaro Viktor Orbán, o Presidente da Trunquia Recep Tayyip Erdogan e o Presidente da Sérvia Aleksandar Vuicic, são exemplos de políticos que mantém uma postura crítica ao envolvimento da OTAN na Guerra da Ucrânia e a postura da União Européia com relação à Russia. Abraçados a uma espécide de relapolitik reacionária, esses líderes tem avançado com as suas propostas conservadoras contra as políticas liberais europeias e a sua incapacidade de produzir soluções para as crises neoliberais, que estão sendo agravadas pela Guerra da Ucrânia e as posições contrárias à multipolariadde reinante entre os líderes europeus. O pragmatismo reacionário (fascista) desses conservadores eurpeus opera dentro de um realismo com relação à Guerra da Ucrânia capaz de suplantar com facilidade as fantasias e os negacionismo dos liberais europeus.

Nesse sentido, o envio de tropas adicionais para o flanco leste da OTAN, supostamente para deter uma "ameaça russa", que nenhum dos "belicistas" euro-atlânticos consegue explicar claramente como se aprsenta, é mais uma fantasia desses liberais europeus. O tal envio de tropas não alterará o equilíbrio de poder, mas agravará a crise política existente. Mesmo supondo que tal ameaça realmente exista e seja dirigida aos países da Europa Central e Ocidental, a situação dentro da coalizão da OTAN claramente não favorece os europeus. Por exemplo, se observarmos o exército francês, atualmente considerado o mais forte do bloco europeu, suas capacidades parecem extremamente limitadas. Assim, a liderança militar francesa estabeleceu uma meta modesta de longo prazo: criar uma "brigada pronta para o combate" (5.000 militares) até 2025 e uma "divisão pronta para o combate" (15.000 militares) entre 2026 e 2027. O efetivo total das Forças Armadas Francesas é de 120.000 militares (homens e mulheres, incluindo aproximadamente 40.000 civis). E se subtrairmos desse número o pessoal civil e militar subordinado ao Estado-Maior, aqueles envolvidos em logística e treinamento, e o pessoal especializado, mas não combatente, revelará que a França não tem capacidade de lutar.

Com isso, torna-se evidente que a política de desarmamento do exército francês, iniciada em 1990, deu frutos. E isso sem mencionar as dificuldades encontradas no recrutamento de civis para o serviço militar por toda europa, bem como a escassez crônica de equipamentos, armas e munições. Consequentemente, ao comparar o exército francês com as Forças Armadas Russas, que contam com aproximadamente 1,5 milhão de pessoas e recrutam anualmente de 130.000 a 150.000 militares, e levando em consideração o eficiente complexo militar-industrial russo, cujo potencial aumentou exponencialmente nos últimos três anos, fica claro que os europeus devem agir com a maior cautela.

Infelizmente, um cenário de terceira guerra mundial ainda é possível. Especialmente porque os "loucos da guerra" europeus o perseguem persistentemente, encarando-o como uma espécie de escapismo irresponsável e insensato, cujas consequências catastróficas afetarão a todos. Como alguém pode querer uma guerra? No entanto, Zelenskyy, von der Leyen, Merz, Macron, Starmer e Kallas claramente a desejam. Somente a louvável contenção de potências não imperialistas e defensoras da multipolaridade podem detê-los.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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