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Michael Wang

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A oportunidade da China 2.0

China propõe nova fase de inovação global com expansão tecnológica e acesso ampliado a tecnologias avançadas em escala mundial

Premiê da China, Li Qiang, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos 16/01/2024 (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)
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Hoje em dia, alguns alertam para um suposto “choque da China 2.0”. Desta vez, a preocupação já não gira em torno de têxteis ou móveis, mas de veículos elétricos, baterias, inteligência artificial e robótica.

Mas classificar isso como outro “choque” é algo limitado demais. Parte da ideia de que o progresso tecnológico da China necessariamente deve ocorrer às custas dos outros.

No Fórum de Verão de Davos deste ano, realizado em Dalian, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, propôs uma leitura diferente: “China Opportunity 2.0”.

Entendo isso como uma proposta sobre o papel em transformação da China na economia global.

A primeira fase dessa oportunidade surgiu de um mercado enorme, uma manufatura competitiva e uma escala extraordinária. Poderíamos chamá-la de um dividendo de mercado. A segunda fase pode vir de um dividendo de inovação: a capacidade da China não apenas de desenvolver tecnologias, mas também de comercializá-las e implementá-las rapidamente.

Isso é importante porque a invenção por si só não muda o mundo. Uma tecnologia só gera valor real quando se torna confiável, acessível e amplamente disponível. A China pode ajudar a reduzir essa lacuna entre o avanço tecnológico e sua adoção em larga escala.

Para empresas internacionais, a China é cada vez mais do que um simples mercado ou uma base de manufatura. É também sede de centros de inovação, um vasto campo de testes e um parceiro para a comercialização.

Para as economias em desenvolvimento, a oportunidade é ainda maior. A escala da China já contribuiu para reduzir o custo de uma ampla gama de bens tecnológicos avançados, como painéis solares, baterias e mobilidade elétrica. Se esse mesmo processo se estender à inteligência artificial, à robótica e à tecnologia médica, capacidades avançadas poderão chegar a países que, de outra forma, teriam dificuldade de acessá-las.

O valor da inovação não é medido apenas por quem inventa primeiro, mas por quantas pessoas acabam se beneficiando dela.

O mundo não precisa de menos inovação por medo de quem possa liderá-la. Precisa de mais inovação, de mais lugares e ao alcance de mais pessoas.

A China permitiu ao mundo fabricar em escala. Sua próxima contribuição pode ser ajudar o mundo a inovar em escala.

Essa é a promessa da China Opportunity 2.0.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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