Danilo Espindola Catalano avatar

Danilo Espindola Catalano

Professor de espanhol, pesquisador e escritor.

13 artigos

HOME > blog

América Latina se respeita, defendamos o continente

Assim, é possível confirmar que defender a Venezuela não é ser de esquerda ou de direita; é ser latino-americano

Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas, Venezuela - 17/5/2018 (Foto: REUTERS/Carlos Jasso)

O que acontece na Venezuela não é um caso isolado — e muito menos algo simples de explicar, como tenta constantemente fazer a mídia internacional e certos meios de comunicação, usando palavras de cartilha para simplificar algo que não pode ser resumido em uma palavra, tampouco em um único texto como este que lhes escrevo.

Não afirmo que seja um caso isolado, pois a América Latina vem sofrendo ataques externos dos Estados Unidos desde as eleições legislativas na Argentina, em que Donald Trump deu um ultimato e a vitória de Javier Milei se consolidou, e, ao mesmo tempo, em Honduras, onde, devido à fraude escancarada nas eleições, Nasry Asfura — candidato preferido do presidente estadunidense — venceu com ampla margem sobre a candidata que era apontada como certa vencedora nas pesquisas anteriores.

A conclusão se dá em 3 de janeiro de 2026: o ataque dos Estados Unidos em Caracas já era esperado, e pareceria que estávamos apenas aquecendo os nervos para que se iniciasse tal atitude. Mas parece que não houve apenas participação do país na operação, pois foi algo muito rápido e, de certa forma, fácil de se fazer ao sequestrar um presidente de um país. Ou seja: ou os Estados Unidos são um país belicamente preparado para sequestrar qualquer presidente de qualquer país no momento que bem lhes convém, ou aqueles que se acreditavam aliados do chavismo acabaram por se render aos seus maiores inimigos.

Mas criar especulações para tramas internas é uma atitude que apenas chama a atenção e impõe uma narrativa chamativa para aqueles que se sentam em seus sofás e passam o dia rolando o dedo nas telas — e não para quem realmente quer refletir sobre os acontecimentos.

O que se deve pensar, quando se está em países vizinhos e há uma agressão clara ao território, não é apoiar o país “terrorista”, mas sim refletir sobre as vidas que foram perdidas e o ataque à soberania nacional desse país — que afeta não só o âmbito compreendido pelas fronteiras, mas todo o continente, sendo uma agressão que o transcende e faz com que tenha sido, antes de tudo, uma agressão ao povo latino-americano, e não apenas ao venezuelano.

Pensar em contexto regionalista é fundamental nesses momentos, pois une forças contra um inimigo em comum que, como mencionei nos parágrafos anteriores, agrediu tanto a Argentina como Honduras — não de modo bélico, mas influenciando indiretamente suas respectivas democracias, o que é uma violência branda, mas ainda assim um ataque à soberania desses povos.

Prova dessa afirmação são os ataques recentes que sofreram Cuba e Colômbia diretamente pelo presidente Donald Trump, jogando ainda mais tensão sobre a região.

Assim, é possível confirmar que defender a Venezuela não é ser de esquerda ou de direita; é ser latino-americano. Se você nasceu neste continente, é traição às suas raízes comemorar tal ato ou tais atos de países estrangeiros que acreditam ser superiores. Por isso, devemos levantar nossas bandeiras e gritar bem alto: América Latina se respeita!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados