'Arrastado pelo chão, Thiago levou socos e pontapés. Mas se manteve revolucionário', diz ao 247 deputado que estava na Flotilla
Parlamentar argentino relata agressões durante abordagem no Mediterrâneo e também destaca a liderança do ativista brasileiro
O deputado argentino Pablo Giachello disse que viu quando o ativista brasileiro Thiago Ávila foi arrastado pelo chão, levando socos e pontapés no navio do Estado de Israel, no mar Mediterrâneo. “Thiago foi violentamente agredido enquanto era tirado da área da prisão da embarcação sionista onde estávamos. Ele foi arrastado, enquanto levava chutes e socos dos policiais”, contou , nesta terça-feira, ao Brasil 247 em Buenos Aires.
Giachello é parlamentar provincial do Partido Obrero-Frente de Esquerda, integrante da Flotilla Global Sumud e um dos ativistas presos, na quarta-feira passada, quando a caravana solidária seguia a caminho de Gaza. Dos 184 integrantes do grupo, distribuídos em uma frota de mais de 50 barcos e veleiros, disse, 182 foram liberados. Os dois que continuaram com os fardados israelenses são Thiago e o palestino-espanhol Saif Abu Keshk, que Giachello disse que só voltou a vê-los nas imagens das televisões, já na prisão em Israel. “Quando levaram Thiago, na sexta-feira, não voltamos a vê-lo. E Saif já tinha sido levado no dia anterior, na quinta-feira”, disse. O parlamentar argentino relembrou que 37 embarcações tinham saído de Barcelona, na Espanha, e que outras 20 se uniram ao coletivo em Augusta, na Sicília, na Itália, no dia 26 de abril. Na quarta-feira (29) foram interceptados por soldados israelenses. Thiago estava no barco SafSaf e Gianchello no La Romántica. “Foram os dois primeiros barcos a serem interceptados. Os soldados abordaram nossas embarcações, subiram nelas com armas e tomaram o controle delas. Nos colocaram de joelhos, com as mãos na cabeça e nos levaram para um navio do Exército de Israel. Tudo ocorreu na quarta-feira à noite. No total, 22 embarcações da Flotilla foram interceptadas”, contou.
Hospitalizados
O deputado disse à reportagem que integrantes da Flotilla tiveram que ser hospitalizados em Creta, na Grécia, que foi onde foram liberados. “Sete companheiros tiveram traumatismo craniano, fraturas de costela e de mandíbula pelos golpes que receberam”, disse. Segundo ele, Saif teria sido torturado e “ouviamos seus gritos”. No dia seguinte ao que a Flotilla foi abordada pelos soldados nas águas do Mediterrâneo, os detidos organizaram uma manifestação, fazendo barulho na área que o parlamentar definiu como “um presídio a céu aberto”. Os comissários e outros da tripulação, além dos fardados, se concentraram em torno deles. “Nós fomos sequestrados em águas internacionais, a 700 milhas de Gaza. Inexplicável”, disse.
“Thiago, firme nas suas convicções”
Na manifestação, Thiago tomou a palavra, recordou Giachello: “Agora que vocês nos ouvem, queremos água, queremos saber onde estão nossos companheiros (seis que não se sabia onde estavam), os medicamentos dos que aqui têm doença crônicas e nossos objetos e casacos.” O argentino contou que eles passaram frio e fome até serem liberados. “Thiago é um companheiro, revolucionário, com muita firmeza, muita convicção. Ele é um exemplo. Mesmo quando foi arrastado não recuou nas suas convicções. Seu compromisso é inquestionável. Um exemplo”, disse. Assim que desembarcou em Buenos Aires, Pablo Giachello pediu pela liberdade de Thiago e de Saif. Nesta segunda-feira à noite, outros dois ativistas argentinos, que estavam na Flotilla, desembarcaram na capital argentina. Faltam Thiago e Saif.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



