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Luciana Oliveira

Jornalista de Porto Velho (RO), correspondente do Brasil 247 na China e membro da Comissão Nacional de Blogueiros

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As Chinas que vi em trinta dias de intercâmbio

As Chinas que vi em trinta dias revelam um país diverso, seguro e em transformação, entre tradição, tecnologia e desenvolvimento social

Luciana Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)
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Não conheci, na vida, uma mulher que pudesse andar nas ruas sozinha, de dia ou à noite, sem medo. Há pouco mais de um mês, experimentei essa liberdade.

Quero pontuar isso antes de falar da China como potência econômica e tecnológica do planeta, porque 24 mulheres foram assassinadas só pela condição de gênero enquanto estou aqui.

Quando cheguei a Beijing, onde viverei por três meses num intercâmbio de mídia com países do Sul Global, gravei no meio da rua olhando para os lados e segurando a bolsa. Demorou para me despir do medo que carrego, apesar de estar a 20 mil quilômetros de casa, na porção Norte da Amazônia brasileira. Estar segura é uma das melhores experiências que a China pode me oferecer. Aqui, a taxa de resolução de homicídios chega a 100%.

E o que não esperei e encontrei de semelhança com meu país, com minha Amazônia, até agora?

Como a minha magnífica floresta tropical, a China também merece estar no plural. Há várias formas de vida e múltiplas tradições culturais nas províncias, distritos e aldeias do gigante asiático.

A diferença está no agir do Estado com seu multiculturalismo. Aqui se protege, preserva e desenvolve culturas e territórios sem permitir apagamento. A prova disso está na província de Guizhou, onde existem dezenas de grupos étnicos. A região, que já foi uma das mais empobrecidas, sem terras apropriadas à agricultura, isolada numa área montanhosa, hoje é potência tecnológica e turística. O governo chinês investiu pesado em infraestrutura e criou lá a Zona Piloto Nacional de Big Data do país. As aldeias dos grupos étnicos Miao e Dong nunca mais foram as mesmas. E tudo mais na região se transformou, atraindo empresas de tecnologia. Foi minha primeira viagem para enxergar a China moderna e a tradicional em harmônico desenvolvimento. Vi de perto a revolução digital rural, que deu fama à Liga das Aldeias e fez Rongjiang prosperar.

Já em Chongqing, cidade de montanhas por todo lado, vi uma dinâmica urbana única. Sem poder crescer para os lados, avança para cima, com os prédios tentando beijar o céu. O trem que atravessa um prédio de 19 andares é apenas uma das ousadias da engenharia chinesa lá.

O pouco que vi e dizem produzir uma sensação de que a China está uns 50 anos à frente não traduz o que o governo e o Partido Comunista fizeram e planejam para os próximos anos.

O presente aqui é, de fato, um futuro bem mais distante da maioria dos países e, principalmente, do meu, da tão espoliada América Latina.

A meta da China até 2049 é se transformar em um país socialista moderno, próspero, forte, democrático, culturalmente avançado, harmonioso e belo.

A simbiose entre o governo e o Partido Comunista Chinês, com aprovação de 90% da sua liderança, produziu o rápido desenvolvimento econômico e a estabilidade social a longo prazo do país.

E não param de formar talentos para contribuir com a Nova Era da China nas mais de 3 mil escolas do Partido, com mais de 100 mil funcionários.

Um sistema integral e rigoroso que combate a corrupção e os desperdícios que eram generalizados. Da época em que a China tinha 900 milhões vivendo na pobreza, de 3 mil funcionários de alto nível, 900 da esfera provincial e ministerial foram investigados e sancionados.

O combate à corrupção foi determinante para o avanço e o enfrentamento à desigualdade. Apesar da grave pandemia de Covid-19 e das guerras comerciais iniciadas por alguns países, nos últimos cinco anos a economia chinesa continuou a crescer de forma constante.

A estrutura econômica da China foi otimizada, e a inovação tecnológica se tornou o principal motor de crescimento.

As restrições impostas pelos EUA aos semicondutores chineses não impediram o setor de tecnologia da China de continuar a se desenvolver rapidamente, marcando sua autossuficiência e superação.

A economia de mercado chinesa se distingue da ocidental, prevê aperfeiçoar e desenvolver o sistema socialista com características chinesas e modernizar o sistema e a capacidade de governança do país.

Hoje, os automóveis chineses já lideram o Ocidente em vários aspectos, assim como muitas indústrias de manufatura.

A China aplica o que chama de uma democracia socialista com características chinesas, com um sistema de assembleias populares anuais com participação de representantes de todos os setores e de todos os grupos étnicos, aprovando leis e decisões por meio de votação.

Não é uma democracia focada em eleições, mas em consulta, debate, tomada de decisões e supervisão em todo o processo.

O presidente Xi Jinping defende “uma abordagem centrada no povo, colocando o povo em primeiro lugar e garantindo que os frutos do desenvolvimento sejam compartilhados por todos”.

Desde o XVIII Congresso, a China tirou quase 100 milhões de pessoas da pobreza e construiu o maior sistema de segurança social, saúde e educação do mundo. A expectativa é de 12 milhões de graduados universitários este ano.

Isso é criar uma reserva de talentos altamente qualificados.

A China também passou a adotar rigorosas medidas de proteção ambiental, fazendo empresas melhorarem sua tecnologia, sob pena de serem punidas ou fechadas por danos ambientais.

Xi tem dito que o desenvolvimento nunca deve ser feito à custa do meio ambiente, e a China vem avançando na indústria de energia renovável.

Quanto à diplomacia, Xi Jinping propõe com frequência a construção de uma comunidade de destino compartilhado para a humanidade, sem que um país ameace a segurança de outro.

Ele propõe o fim do unilateralismo e do hegemonismo, em favor do multilateralismo e da cooperação.

Sigo aqui, vendo a China que não me contaram, com meu olhar amazônida, única brasileira num grupo de 100 jornalistas.

Como representante do Brasil 247, tenho notado o entusiasmo chinês com meu país, e isso me deixa muito à vontade e feliz.

Do grupo latino, sou a única a trazer a bandeira do seu país para tremular nos lugares históricos da China.

Porque meu país também é gigante e um dia espero que seja um berço esplêndido para o seu povo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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