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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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As vítimas de todos os golpes de Vorcaro, Bolsonaro, Tarcísio, Flávio

“A pirâmide do Master era como todas as pirâmides, entre as quais as da extrema direita”, escreve Moisés Mendes

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

É pretensa e genericamente moralista a abordagem que prevalece, na grande mídia e nas redes, sobre o caso Master. O que mais se expressa é o espanto: como puderam fazer isso com os que confiaram no pagamento de juros tão altos?

E temos então o que sabemos sobre a pirâmide, o rombo nas contas do Master, as mutretas com gente do Banco de Brasília, a promiscuidade com políticos, a leniência do Banco Central e o desespero de parte da grande imprensa.

Mas o que predomina é, a partir dessas anormalidades, a pauta que puxa a conversa para as questões éticas, incluindo a quase lenda do contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco.

Essa é a pauta de Marcelo Rubens Paiva em artigo na Folha, no qual admite que aplicava dinheiro no banco e que teme agora levar um calote. 

O escritor atribui a tentação ao fato de que “os papéis eram oferecidos efusivamente por assessores da nossa personal fintech”. A fintech era efusiva, o aplicador aderiu à efusão e aconteceu o que se sabe.

É raso demais apontar o dedo para os aplicadores e dizer: ah, caiu na pirâmide do Daniel Vorcaro. Assim como é fácil, pelo ponto de vista da vítima, atribuir tudo aos ‘outros’.

Os outros são as fintechs efusivas em demasia, os que fizeram propaganda aberta para o banco, os que ajudaram a expandir o boca a boca e todos os que teriam sido cúmplices de Vorcaro. 

Tratavam o Master como tratam todas as corporações e marcas do mercado financeiro, onde quase tudo é considerado normal, até o envolvimento da Faria Lima com o PCC. 

Mas o tamanho do estrondo, principalmente nos jornalões, expôs desde o começo que há mais do que poupadores ‘simples e normais’, como Rubens Paiva, nessa história. 

Há o que no Rio Grande do Sul se define como vítima de talagaços. Pelo tom de desespero da cobertura, percebe-se que há danos grandes não só para o que chamam genericamente de mercado. Há danos pessoais e empresariais pesados, o tal talagaço, o estrago das grandes perdas.

E aí a abordagem pretensamente moral não vale nada. Porque até a última aplicação, antes da implosão do banco, tudo parecia normal na anormalidade de quem pagava o que ninguém mais estava pagando.

Rubens Paiva, jornalista esperto, uma cabeça brilhante, escreveu na Folha:

“O banqueiro ostentação Daniel Vorcaro, figurinha carimbada da tradicional sociedade mineira, descobriu os furos do queijo suíço brasileiro, o poder, para praticar o golpe do século, tão manjado quanto a ameixa de um manjar branco, e montou uma pirâmide financeira”. 

É como cair, muito antes das fintechs efusivas, no golpe do pacote, que só funcionava quando aplicado nos outros, até que um dia acontece com a gente. A abordagem moral não pode se manifestar só quando nós somos a vítima. 

Os que levaram o talagaço estão sabendo, tanto quanto os que votaram em Bolsonaro em 2018 e em 2022 e podem votar em Flávio ou Tarcísio em 2026, que é tudo uma fria, é tudo pirâmide e golpe do pacote financeiro ou político.

 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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