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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Assustador. Massacrante

Uma orquestra sinistra e imparável

Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)

Nunca houve, nunca se viu nada igual. Uma operação que mais parece um filme ou um filme que mais parece operação?

Tive um pesadelo, depois de muitas noites só de sonhos felizes.

Cento e cinquenta aviões, milhares de pessoas, todas e tudo atuando como uma orquestra sinistra e imparável. Os caras compraram alguém que estava colado em Maduro, mas Maduro não sabia. Provocaram um apagão em Caracas, mas sabiam agir em meio às trevas.

Maduro dormia em seis ou oito lugares diferentes, mas os caras sabiam onde ele estaria naquela noite.

Construíram uma réplica, treinaram nela como explodir todas as portas.

Assustador. Massacrante.

Entraram sorrateiramente, sabe-se lá quantos seguranças mataram. Nada os detinha. Explodiram portas de aço. E, em três minutos, acharam o alvo e sua mulher.

Imagino o pavor do alvo. No meio da madrugada, ouviu explosões cada vez mais perto dele. Tentou fugir para uma sala protegida por uma porta mais forte ainda que todas as outras portas de aço.

Não o pegaram na cama. Ele fugiu para a sala cofre-forte, mas não conseguiu fechar a porta. Xeque-mate. Na tropa havia um negociador para negociar caso ele não se entregasse. Não foi preciso. Ele se entregou. Não tinha o que fazer.

Podiam dar cabo dele naquela hora. Mas não. O alvo tinha que ser sequestrado vivo. Do quarto forte para o helicóptero, do helicóptero para o porta-aviões. Uma parada em Guantánamo. Ali havia um Boeing com as turbinas ligadas. O Boeing desceu em Manhattan.

E tudo transmitido ao vivo e a cores, sabe-se lá como, diretamente para Mar-a-Lago.

Não descrevo a operação com admiração, mas com medo. Não com medo, com pavor.

Eu mesmo, ingênuo, escrevi aqui: tem que tirar o cara do poder.

Mas quem vai tirar? Quantos protestos, quantos milhões de pessoas? Quantos países de mãos dadas?

A ONU gritou, todos os jornais do mundo gritaram. De Norte a Sul. Ilegal, criminosa, atentado ao Direito Internacional. Duzentas mil reuniões estão programadas.

Discursos, retórica e mais retórica. O cara pode fazer o que quiser. Contra tudo e contra todos. Pode tirar a Delcy Rodrigues da cadeira. Depois o Petro. Depois a Groenlândia. A primeira-ministra da Dinamarca grita. Vai chamar a OTAN. Mas o que é a OTAN perto dessa máquina que me tirou da cama?

Não há mais direito internacional, há uma nova e inédita desordem mundial.

Não me acusem de derrotista. Vão alegar que ninguém é mais forte que a multidão, o povo unido jamais será vencido. Todos os provérbios, todos os mantras são inúteis. O cara pode fazer o que quiser.

Não digo como um submisso contumaz. Deploro. Lamento. Xingo. Protesto. Inês é morta. Todos os artigos sensatos de todos os jornais do mundo, todos os líderes lúcidos, ponderados ou radicais.

A segunda potência exige: soltem Maduro. Já. Mas seu ultimato não faz cócegas na máquina que cospe fogo.

Cessa tudo quanto a antiga musa canta quando um valor mais alto se alevanta. Camões.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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