Atlas enterra Motta e Alcolumbre nas ruas
Levantamento expõe rejeição massiva a Motta e Alcolumbre e coloca em xeque a legitimidade política de um Congresso que confronta o governo Lula
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comandam o Congresso Nacional no momento em que acumulam os piores índices de imagem entre políticos medidos pela AtlasIntel/Bloomberg. Motta tem 87% de imagem negativa e só 2% positiva; Alcolumbre aparece com 81% negativa e 3% positiva.
A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (30), no mesmo dia em que o Congresso se movimenta para analisar o veto integral do presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, pauta que pode reduzir penas de condenados pela trama golpista de 8 de janeiro.
O dado central é simples.
Os dois homens com força para impor nova derrota a Lula não têm voto popular para sustentar esse poder fora dos corredores de Brasília.
A AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.008 pessoas entre 22 e 27 de abril de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O grau de confiança é de 95%.
Motta e Alcolumbre são, portanto, fortes no painel eletrônico do Congresso e fracos no julgamento das ruas.
Essa contradição ajuda a explicar a crise política aberta após a rejeição histórica de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. O Congresso percebeu fragilidade no Planalto e avançou sobre a pauta da dosimetria.
A oposição avalia ter votos para derrubar o veto de Lula. A sessão conjunta foi marcada para quinta-feira (30), com pauta única, segundo o Blog do Esmael.
A dosimetria, em linguagem simples, trata do cálculo da pena. O projeto virou prioridade para o bolsonarismo porque pode abrir caminho para revisar punições aplicadas a condenados pelos atos golpistas.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, controla a pauta da sessão conjunta. O presidente da Câmara, Hugo Motta, controla a temperatura política da Casa onde a oposição mede sua força.
O problema é que a Atlas mostrou uma fotografia incômoda para os dois.
Motta tem apenas 2% de imagem positiva. Alcolumbre tem 3%. Nenhum dos dois aparece como liderança nacional com adesão social relevante.
Ainda assim, ambos operam como fiadores de uma agenda que afronta o núcleo político do governo Lula e atende ao campo bolsonarista.
Esse é o ponto.
O Congresso pode derrotar o Planalto, mas não pode fingir que fala em nome das ruas quando seus chefes têm rejeição de 87% e 81%.
Lula e o PT erram quando tratam esse conflito apenas como negociação de gabinete. A resposta a um Congresso com esse nível de impopularidade não nasce em planilha de emenda, jantar reservado ou telefonema de ministro.
Nasce no asfalto.
A derrota de Messias mostrou que o governo perdeu controle no Senado. A pauta da dosimetria mostra que a oposição quer transformar o revés em salvo-conduto político para o bolsonarismo.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg oferece outro dado político: há espaço social para disputar a narrativa contra o comando do Congresso.
Motta e Alcolumbre têm caneta, pauta e regimento. Mas carregam rejeição popular muito maior que a de líderes nacionais mais conhecidos, inclusive Lula, Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, todos com 45% de imagem positiva no mesmo levantamento.
O Planalto precisa decidir se vai continuar apanhando em votações controladas por chefes congressuais sem lastro popular ou se vai recolocar povo, militância e agenda concreta no centro da disputa.
A quinta-feira (30) virou teste.
Se o Congresso derrubar o veto da dosimetria, Motta e Alcolumbre entregarão uma vitória ao bolsonarismo. Mas a Atlas já entregou ao governo uma munição política rara: os algozes de Lula no Congresso não conseguem atravessar a praça sem rejeição nas costas.
A crise, portanto, não está só no voto dos parlamentares.
Está na distância entre o poder real do Congresso e a sua miséria de apoio popular.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



