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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Atlas enterra Motta e Alcolumbre nas ruas

Levantamento expõe rejeição massiva a Motta e Alcolumbre e coloca em xeque a legitimidade política de um Congresso que confronta o governo Lula

Brasília-DF - 27/11/2025 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comandam o Congresso Nacional no momento em que acumulam os piores índices de imagem entre políticos medidos pela AtlasIntel/Bloomberg. Motta tem 87% de imagem negativa e só 2% positiva; Alcolumbre aparece com 81% negativa e 3% positiva.

A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (30), no mesmo dia em que o Congresso se movimenta para analisar o veto integral do presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, pauta que pode reduzir penas de condenados pela trama golpista de 8 de janeiro.

O dado central é simples.

Os dois homens com força para impor nova derrota a Lula não têm voto popular para sustentar esse poder fora dos corredores de Brasília.

A AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.008 pessoas entre 22 e 27 de abril de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O grau de confiança é de 95%.

Motta e Alcolumbre são, portanto, fortes no painel eletrônico do Congresso e fracos no julgamento das ruas.

Essa contradição ajuda a explicar a crise política aberta após a rejeição histórica de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. O Congresso percebeu fragilidade no Planalto e avançou sobre a pauta da dosimetria.

A oposição avalia ter votos para derrubar o veto de Lula. A sessão conjunta foi marcada para quinta-feira (30), com pauta única, segundo o Blog do Esmael.

A dosimetria, em linguagem simples, trata do cálculo da pena. O projeto virou prioridade para o bolsonarismo porque pode abrir caminho para revisar punições aplicadas a condenados pelos atos golpistas.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, controla a pauta da sessão conjunta. O presidente da Câmara, Hugo Motta, controla a temperatura política da Casa onde a oposição mede sua força.

O problema é que a Atlas mostrou uma fotografia incômoda para os dois.

Motta tem apenas 2% de imagem positiva. Alcolumbre tem 3%. Nenhum dos dois aparece como liderança nacional com adesão social relevante.

Ainda assim, ambos operam como fiadores de uma agenda que afronta o núcleo político do governo Lula e atende ao campo bolsonarista.

Esse é o ponto.

O Congresso pode derrotar o Planalto, mas não pode fingir que fala em nome das ruas quando seus chefes têm rejeição de 87% e 81%.

Lula e o PT erram quando tratam esse conflito apenas como negociação de gabinete. A resposta a um Congresso com esse nível de impopularidade não nasce em planilha de emenda, jantar reservado ou telefonema de ministro.

Nasce no asfalto.

A derrota de Messias mostrou que o governo perdeu controle no Senado. A pauta da dosimetria mostra que a oposição quer transformar o revés em salvo-conduto político para o bolsonarismo.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg oferece outro dado político: há espaço social para disputar a narrativa contra o comando do Congresso.

Motta e Alcolumbre têm caneta, pauta e regimento. Mas carregam rejeição popular muito maior que a de líderes nacionais mais conhecidos, inclusive Lula, Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, todos com 45% de imagem positiva no mesmo levantamento.

O Planalto precisa decidir se vai continuar apanhando em votações controladas por chefes congressuais sem lastro popular ou se vai recolocar povo, militância e agenda concreta no centro da disputa.

A quinta-feira (30) virou teste.

Se o Congresso derrubar o veto da dosimetria, Motta e Alcolumbre entregarão uma vitória ao bolsonarismo. Mas a Atlas já entregou ao governo uma munição política rara: os algozes de Lula no Congresso não conseguem atravessar a praça sem rejeição nas costas.

A crise, portanto, não está só no voto dos parlamentares.

Está na distância entre o poder real do Congresso e a sua miséria de apoio popular.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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