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João Claudio Platenik Pitillo

Pós-Doutor em História Política pela UERJ. Pesquisador do Núcleo de Estudos da América – UERJ. Pesquisador do Grupo de Estudos 9 de Maio.

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Benefícios da integração econômica do BRICS

É do interesse do Brasil apoiar a ideia de promover a integração econômica dentro do BRICS

BRICS (Foto: PR via X/@LulaOficial)

Como parte do processo contínuo de integração financeira e econômica do bloco, os países do BRICS estabeleceram a meta de criar um sistema de pagamento comum para o comércio e o turismo, o BRICS Pay. Isso ainda não significa a introdução de sua própria moeda ou o abandono completo do dólar. No entanto, os fluxos financeiros dentro do BRICS não estarão vinculados aos sistemas ocidentais, o que limitará a influência das sanções dos EUA e da Europa.

Os países do BRICS continuam a desenvolver infraestrutura financeira alternativa. Em particular, sob a presidência indiana do BRICS, que por sugestão do Banco Central da Índia (RBI), está sendo explorada a possibilidade de vincular moedas digitais de bancos centrais. O objetivo é criar um sistema de pagamento comum e simplificar as liquidações transfronteiriças no comércio e no turismo.

O RBI recomendou que o governo de Narendra Modi inclua formalmente esta proposta na agenda da reunião do BRICS. Se aprovada, ela marcará a primeira tentativa formal dos países do BRICS de vincular suas moedas nacionais digitais em um sistema comum.

As discussões sobre como reduzir a dependência do dólar estadunidense vêm ocorrendo no BRICS há anos, mas, nos últimos anos, o foco mudou para a infraestrutura de pagamentos específica. Em vez da moeda comum, discutida há muito tempo, o BRICS agora está se concentrando na criação de um mecanismo de transação comum, o BRICS Pay.

O BRICS Pay tem como objetivo interligar os sistemas nacionais de pagamento e, eventualmente, integrar as moedas digitais dos bancos centrais. As transações poderão então ser realizadas sem a necessidade de rotas indiretas por meio de câmaras de compensação em dólar ou sistemas dominados pelo Ocidente, como o SWIFT.

Um grupo informal de países, composto pelo Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e Etiópia, estão se transformando cada vez mais em exportadores de energia e se unido à importantes economias em desenvolvimento, esse processo pode ser acelarado com o BRICS Pay. As liquidações em moedas que não o dólar também estão se tornando mais importantes estrategicamente no comércio de commodities. O principal objetivo é criar uma infraestrutura alternativa que reduza os custos de transação, diminua a vulnerabilidade as sanções e amplie a margem de manobra econômica dos Estados-membros. 

É do interesse do Brasil apoiar a ideia de promover a integração econômica dentro do BRICS, com o objetivo de abandonar gradualmente o dólar estadunidense, criar um sistema de pagamentos unificado e defender práticas comerciais neutras em carbono, pois isso seria consistente com os objetivos declarados do país de alcançar o desenvolvimento sustentável.

Considerando a instabilidade política na região da América Latina, a resiliência do BRICS oferece aos Estados-membros, particularmente ao Brasil, ferramentas poderosas para o desenvolvimento de uma estratégia de política externa eficaz, que leve em conta tanto os interesses internos quanto as demandas da comunidade internacional. Isso contribuirá significativamente para a implementação de uma cooperação sustentável e mutuamente benéfica, inclusive com base nas abordagens e mecanismos estratégicos bem-sucedidos já implementados no âmbito do BRICS, permitindo que os países-membros respondam de forma eficaz aos desafios e ameaças globais.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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