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Davis Sena Filho

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Bolsa Família eleva IDH do Brasil e prova que Luciano Huck é o chorume da Casa Grande escravocrata

Luciano Huck é useiro e vezeiro em falar bobagens, evidenciar desconhecimento sobre diversos assuntos e irradiar ignorância e preconceito

Luciano Huck, apresentador do programa "Caldeir„o do Huck", da Rede Globo. (Foto: Roberta Namour)
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“Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad aeternum. A gente precisa criar um estímulo” — (Apresentador e empresário bilionário Luciano Huck, em discurso no Fórum Esfera, realizado no Guarujá (SP) no último sábado (23/05). 

Luciano Huck é useiro e vezeiro em falar bobagens, evidenciar desconhecimento sobre diversos assuntos e irradiar ignorância e preconceito. Diga-se de passagem, um preconceito dissimulado, quase que tímido, de sorriso amarelo, como se revelasse sua própria vergonha em defender causas e pensamentos intrinsecamente ligados à grande burguesia, a proprietária eterna da casa grande, esta, sim, estimuladora e beneficiária da odienta escravidão. 

Trata-se de um ecossistema, digamos assim, no qual Luciano Huck, sem sombra de dúvidas, anda com desenvoltura, além de participar de convescotes dos ricos, de suas reuniões onde fazem apologia ao atraso e ao retrocesso, geralmente contra os pobres. Acontece que para esse tipo de gente mequetrefe e rastaquera, o Estado tem que primeiramente servir aos interesses dos ricos e, paralelamente a esse servilismo, privatizar seu patrimônio público. Porém, o fundamento constitucional do Estado é atender à maioria da população e não apenas às pessoas financeiramente resolvidas, a exemplo de Luciano Huck e a classe alta que tal empresário representa e age como porta-voz.

Por seu turno, tal patrimonialismo corre, centenariamente, nas veias da burguesia de índole golpista e entreguista, que sempre trabalhou em prol de seus lucros, a jamais se importar com o que foi construído pelo Estado no decorrer de gerações de contribuintes brasileiros. Esse processo dantesco favorece a iniciativa privada a se apropriar do que é público, porque de tempos em tempos consegue colocar um mandatário na Presidência da República para favorecê-la. São pessoas compromissadas com o andar de cima, que doravante passarão a consolidar seus interesses, que jamais serão republicanos, porque a intenção é capturar o Estado, que passa a ser um instrumento de seus desejos empresariais de riqueza patrimonial e poder político e financeiro.

Efetivamente, a dar sequência ao que foi dito até agora, percebe-se tão claro como os raios de sol em uma manhã, que os empresários festejam Luciano Huck — o self-made man às avessas —, sendo que sua presença perante a mesa dos convivas das reuniões para ricos e muito ricos é considerada como trunfo. Trata-se do garoto-propaganda do Will Bank (braço digital do escandaloso Banco Master de Daniel Vorcaro) e do Banco PAN, ex-PanAmericano, que pertenceu a Silvio Santos, bem como de inúmeras empresas conhecidas no mercado, inclusive seu midiático “Familhão”, quadro que é transmitido aos domingos pela Rede Globo, de forma a iludir e causar falsas esperanças a pessoas que sonham melhorar de vida.

O Will Bank foi liquidado pelo Banco Central, e parte do Banco PAN foi vendido ao BTG Pactual do banqueiro André Esteves, que já se envolveu em inúmeras polêmicas da pá-virada, a exemplo de ter sido acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusou de obstrução e afirmou na época que o banqueiro teria oferecido dinheiro ao ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, em troca de não ser citado em delação premiada. 

Esteves foi preso em novembro de 2015, mas no fim de 2018 o STF decidiu arquivar o inquérito contra ele por falta de provas. É assim que a banda toca e tocou para o banqueiro bilionário, ainda mais com a situação política do Brasil nesse período de intensa campanha contra a presidente trabalhista Dilma Rousseff. Em 2016, a mandatária de esquerda foi deposta por um golpe de estado promovido por um consórcio de direita dos mais canalhas e essencialmente cruel, que agiu neste País rico de povo pobre em pleno século XXI do terceiro milênio. Um golpe no Brasil em plena democracia após 52 anos do golpe dos generais e empresários da ditadura civil-militar. Surreal! 

O propósito do golpe empresarial, midiático, parlamentar, militar e judicial foi tomar a Presidência da República de assalto para que a direita derrotada nas urnas em quatro eleições consecutivas assumisse o poder, bem como implementar um choque neoliberal de espoliação do País e de exploração dos trabalhadores. A direita historicamente golpista imediatamente impôs seu “programa de governo” excludente, por intermédio de um golpe de estado travestido de “legal” e “legítimo” no Congresso Nacional com aplausos nas ruas do populacho bolsonarista pleno de ódio, cujo cognome é gado. 

A direita não ganha eleição, porque propositalmente nunca teve projeto para o País e, com efeito, combate há séculos a emancipação do povo brasileiro, além de conspirar eternamente contra a soberania do Brasil. A burguesia herdeira de 388 anos de escravidão sempre foi historicamente useira e vezeira em caminhar por veredas tortuosas, a exemplo dos golpes de estado, que sempre tiveram a finalidade de interromper os avanços sociais e econômicos do povo brasileiro. 

A casa grande quer viver de monocultura (vertical e horizontal) para exportação e do rentismo descarado propiciado pelos bancos. Trata-se dos coronéis dos campos e das cidades, hoje com acesso à tecnologia, mas com suas cabeças colonizadas que remontam à República Velha e um estratosférico complexo de vira-lata, a somar-lhes o inconfundível desprezo pelo Brasil e seu povo, de onde os ricaços como Luciano Huck tiram seus lucros e dividendos. Rico não cria nada, apenas paga àqueles que trabalham e que têm talentos.

O fato é que ocorreu no Brasil uma ode ao atraso e ao retrocesso a somar-se a grupos de direita e extrema direita, inclusive com direito ao terrível fundamentalismo religioso e ao negacionismo contra a ciência, o meio ambiente, a cultura e a educação. Tudo isso para acumular dinheiro e sequestrar o patrimônio público pertencente ao Estado nacional, além de manter a população à míngua, porque dela tiraram o Estado, que passou a exercer um papel de opressor e repressor, assim como voltado a atender os interesses da iniciativa privada. O Brasil emburreceu, retrocedeu e os perversos perderam a vergonha na cara, se algum dia a tiveram, porque irremediavelmente fascistas.

A verdade é que quando os grandes empresários agem para capturar o Estado, como aconteceu nos governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro, o propósito é acumular dividendos e lucros, além de favores, privilégios, isenções e, evidentemente, a criação de monopólios. Outrossim, efetiva-se o capitalismo de compadrio, o clientelismo e patrimonialismo, que geram o rentismo, que necessita da participação e cumplicidade do Estado, que regula, estabelece regras e, por conseguinte, passa a privilegiar os ricos, que ficarão mais ricos e os pobres mais pobres. 

Tudo isso com direito a ver jornais da imprensa de mercado a cantar loas e boas ao modelo econômico concentrador e excludente, que levou as pessoas a entrar na fila do osso, em uma humilhação que causou profunda indignação a milhões de brasileiros. O resultado de tamanha desfaçatez é que a produção e o comércio encareceram demasiadamente, a gerar também desemprego em massa, bem como as taxas altas de juros foram impostas impiedosamente, em nome do combate à inflação e do controle fiscal, para que as coisas permaneçam como estão eternamente, a premiar os inquilinos do pico da pirâmide social, os donos do dinheiro — o establishment.

Luciano Huck, o falador de bobagens há muitos anos compreende isso, porque, definitivamente, ele sabe com quem anda e o que deve falar, como aconteceu por meio de suas críticas ao Bolsa Família, um programa social e econômico dos governos Lula e Dilma, a ser reconhecido e premiado internacionalmente, inclusive implementado em vários países. 

Em resumo: Luciano Huck é o chorume da casa grande escravocrata, o seu self-made man endinheirado e aparentemente desprovido de noção sobre os benefícios e garantias que um programa de magnitude como o Bolsa Família causa diretamente às famílias brasileiras pobres e muito pobres, que contam com o programa para, por exemplo, imediatamente se livrar da fome, dentre muitos outros benefícios que o auxílio governamental propicia.

Porém, voltemos ao Huck, esse sujeito sem noção que vive no Mundo de Nárnia ou que simplesmente pensa mesmo essas coisas insensatas na maior desfaçatez possível, a reverberar o que pensa a sua patota de ricos dedicada à luta de classes. Isso mesmo, quando um bilionário como o Huck se diz contrário ao Bolsa Família, na verdade ele está apenas a reproduzir para quem quiser ouvir que a casa grande brasileira não quer distribuição de renda e de riqueza, assim como não à toa essa mesma casa grande derrubou o imperador porque seu governo, por meio de sua filha, sacramentou a Lei Áurea. Em resumo, para quem não entendeu: a “elite” econômica brasileira é escravocrata e se pudesse restabeleceria a escravidão.

Contudo, as aleivosias de Luciano Huck terminam aqui, porque as informações reais desmoralizam o ridículo “diagnóstico” que o apresentador ricaço da Rede Globo fez em relação ao Bolsa Família. Huck chamou o democrático programa de “ineficiente”, além de afirmar que o benefício “não gera nenhum tipo de estímulo” para quem o recebe. Entretanto, o programa fez com que o Brasil alcançasse o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de sua história. Apenas isso. O resultado do IDH foi divulgado na terça-feira, dia 26/05, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da ONU responsável pela divulgação do estudo.

Pela primeira vez em sua história, o País rico de povo pobre e burguesia escravocrata atingiu a faixa de desenvolvimento humano tão alto. O Índice de Desenvolvimento Humano brasileiro passou de 0,744, um registro de 2012, para 0,805 em 2024. Para os abutres da Terra Brasilis, é bom saber que entre os três indicadores que compõem o IDH — saúde, educação e renda —, a educação foi a que registrou o maior avanço no período estudado.

Alguém avise ao Luciano Huck e seus parças bilionários que eles estão a passar vergonha quando abrem a boca sem discernimento e compreensão do assunto que abordam. Para quem não sabe e acredita nas besteiras e patetadas dessa gente mesquinha e sem condições intelectuais para pensar o Brasil de verdade e de forma macro ou plena, relembro que o Bolsa Família promove o alívio imediato da pobreza e da fome, assim como movimenta o comércio local. 

De acordo com os estudos do PNUD, de cada R$ 1,00 investido no programa pode gerar um crescimento de até R$ 1,78 no PIB. Além disso, o programa estimula a criação de empregos, uma vez que as famílias gastam a maior parte da renda no próprio município. 

O impacto do programa se divide nas seguintes frentes, segundo estudo do PNUD:

Na Economia Local:

• Giro no comércio: O dinheiro é injetado rapidamente em mercados, padarias, farmácias e lojas locais, o que aumenta a demanda por produtos e serviços.

• Geração de empregos: Como o poder de compra das famílias aumenta, os pequenos negócios precisam contratar mais funcionários para atender à nova demanda.

• Efeito Multiplicador: Pelo cálculo do multiplicador econômico do programa, a transferência de renda faz o comércio girar, beneficiando inclusive pessoas que não recebem o benefício. [1, 2, 3, 4]

Nas Famílias Beneficiárias:

• Segurança alimentar: Garante a compra de alimentos e itens de primeira necessidade, reduzindo os índices de fome e extrema pobreza.

• Investimento em capital humano: O programa exige condicionalidades, como a frequência escolar das crianças e a atualização do cartão de vacinação.

• Quebra do ciclo de pobreza: Ao promover o acesso à saúde e à educação, aumenta-se a chance de mobilidade social intergeracional, permitindo um futuro com mais oportunidades para os filhos. 

Após discorrer sobre as informações do PNUD nos três parágrafos acima, quero salientar que o Bolsa Família combate efetivamente a evasão escolar, um grave problema social enfrentado por milhões de famílias de baixa renda, que imediatamente passa a ser também um problema do País, porque atinge a sociedade brasileira em cheio. 

Onde eu quero chegar? Explico. Com a criança ou o adolescente na escola, a vulnerabilidade social e econômica diminui fortemente, principalmente para os meninos e meninas do segundo grau, que já têm certa autonomia de ir e vir. Então, por intermédio do Bolsa Família, essas moças e rapazes passam a ter condições de estudar, ficar dentro da escola e, consequentemente, evitar armadilhas da vida, a exemplo de violência, drogas, prostituição ou simplesmente cometer pequenos delitos em uma idade de fácil convencimento e altas expectativas para realizar sonhos e passar por experiências.   

As coisas não são bem assim como pensa Luciano Huck e sua turma de “bem nascidos”. O Bolsa Família tem regras rígidas que exigem que crianças e adolescentes sejam matriculados em escolas, a ser cobrada ainda a frequência escolar. São essas exigências que cooperaram para que os indicadores do IDH ficassem elevados no Brasil. Aí, cara-pálida, fica difícil de aturar as tolices e patetices do Luciano Huck, que foi desmentido pela verdade, que se baseia na realidade dos fatos. É isso aí.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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